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sábado, 7 de fevereiro de 2026

OS GRANDES PROCESSOS DA HISTÓRIA - O PROCESSO DREYFUS de Paul Richard


Livro 148

Consierações iniciais

A edição desse livro que está comigo é de 1945. Eu não consegui informação de quando foi ele publicado n\ França, talvez no final da década de 30.

É livro-documento.

Ele relata um dos maiores escândalos judicial-militares da França: o processo (Alfredo) Dreyfus um mlitar dedicado, rico, injustamente acusado de alta traição espionando a serviço da Alemanha.

O processo teve início em 1894 sob aquela acusação; eclodiu na França de modo tão momentoso, não demorando posições apaixonadas, de solidariedade porque as provas não o incriminavam e até o absolviam, ou ódio - ódio porque Dreyfus era judeu e como tal, "sórdido", "traidor", "que morra".

O documento que resultou nesse escândalo, tratava-se de uma minuta trazida pela faxineira francesa que trabalhava na embaixada alemão — agia como espiã —  supostamente obtida no cesto de lixo. O documento citava: funcionamento do freio hidráulico do 120 e a capacidade dessa peça, uma informação sobre modificações na formação da artilharia...

E a letra era parecida com a de Dreyfus, mas não igual. A letra do documento pertencia a outro militar precisando de dinheiro, um certo Esterharazy que ofereceu seus préstimos à Alemanha.

Mas, Dreyfus foi acusado como autor e o processo chegou às raias do absurdo, um escândalo que a França se redimiu, onze anos depois, mas jamais equilibraria a vida do acusado.

Então, há mais de 130 anos, o Autor identifica bem esses grupos antagônicos: de "direita", os que ignoravam as provas falsas contra o "espião" e o desprezando, porque era judeu pelo que gritavam pela sua condenação e até execução porque "traidor"!; os da "esquerda", no qual se uniram personalidades, apontavam as falhas das provas, o encaminhamento parcial do processo e, na sua tramitação, um timbre de antissemitismo. 

Primeiro julgamento

O primeiro julgamento, o condenou à deportação perpétua. Foi conduzido à prisão na Ilha do Diabo, na Guiana Francesa, proibido de se dirigir aos vigilantes: era proibido falar. A um boato de que havia planos de fuga, ela foi acorrentado. A tortura física e moral.

Sem perspectiva de libertação, em janeiro de 1898, o escritor Emile Zola  publicou um longo artigo, "J'accuse", no qual faz severas criticas ao julgamento vergonhoso, aos seus julgadores. Um documento tão longo quanto admirável:

Eu acuso o Ten. Coronel Paty de Clam, como agente do erro judicial e por haver defendido sua obra nefasta por três anos com maquinações insanas e culpadas. Eu acuso o general Mercier por haver-se tornado cúmplice, ao menos por fraqueza, de uma das maiores iniquidades do século.

Por ter tomado partido com tamanha veemência, foi Zola condenado a um ano de prisão, punição recebida sob o furor do populacho que o via também como traidor: "Abaixo Zola", "morram os judeus".  Zola se refugiou na Inglaterra. (*)

Rui Barbosa é citado como defensor do condenado. Escreveu ele em 1895 num jornal do Rio de Janeiro:

"Esse homem estava condenado na alma dos seus compatriotas, antes de o ser pelo Triunal secreto que o julgou. Várias semanas antes do julgamento, o ministro da Guerra se declarava convencido da culpabilidade do acusado".

Mas, então, começa-se a achar elementos que levariam à inocência do condenado anos depois.

Diz o autor:

"Então se entabula um diálogo histórico: 

Gonse — Que lhe importa que esse judeu fique na Ilha do Diabo

Picquart — Mas, é inocente meu general!

Gonse — É um assunto que não se pode voltar; o general Mercier e o general Saussier estão envolvidos nele.

Picquart — Mas é inocente!

Gonse — Se você não disser ninguém saberá.

Picquart — O que diz é abominável meu general! (...)

(Picquart seria um dos aliados de Dreyfus, até a sua absolvição, declaração de inocência e reabilitação militar).

Segundo julgamento

Comprovada, porém, depois de quatro anos, a falsificação de diversos documentos pelo Tenente-Coronel Henry — confessou a fraude — que alegara "querer proteger o exército" ajudado por seus cúmplices, deu-se a anulação do primeiro julgamento. 

Dreyfus foi libertado sendo intimado ao novo julgamento que se daria, em Rennes, por outros julgadores do Conselho de Guerra.

Mas, fora ele de novo condenado, por 5 votos a 2 a despeito da imensa prova de sua inocência, provocando grande comoção na França e assombro no mundo. Exultaram os da "direita" que atacavam o judeu.

Por essa segunda condenação vergonhosa, Dreyfus passou a ser apoiado por personalidades do mundo inteiro, ai incluidos o papa Leão XIII, o escritor Anatole France, Emile Zola, a Rainha da Inglaterra, o Tzar da Rússia, a atriz francesa mais famosa da época, Sarah Bernhardt, politicos e mandatários; houve manifestações alemãs que afirmavam desconhecer o condenado. 

Mas, o governo, em reunião tensa, porque o acusado era notoriamente inocente, ofereceu a Dreyfus o indulto, solução mal recebida, porque o libertava da prisão mas não proclamva sua inocência que ele gritava insistente aos quatro ventos. 

O ato seguinte do governo, foi conceder a anistia geral pelo que todos foram perdoados, menos Dreyfus que queria "sua honra de volta".

Pedida por ele a revisão da decisão de Rennes perante a Suprema Corte, seu pedido foi acolhido e anulada aquela condenação: "Declara-se que essa condenação foi ditada por erro e sem razão".

Sarah Bernhardt numa carta remetida a Dreyfus lê-se este trecho:

"Não sofra mais, caro mártir nosso. Olhe em torno mais longe, mais longe ainda e verá essa multidão de seres que o amam e defendem contra a covardia, a mentira e o ódio. Entre estes seres está sua amiga."

Mateus Dreyfus, irmão, e a esposa Lúcia tiveram papel relevante nesse desfecho.

A partir dai Dreyfus foi reitegrado ao exército com todas as honras chegando a participar da Grande Gerra de 1914.

Ele faleceu em 1935 e às vezes murmurava: — Não tive sorte nesta vida... não tive sorte.

Muitas suspeitas

 ● Emile Zola foi assassinado? Em 1902 ele foi encontrado morto no quarto de um hotelzinho em Paris, dando-se a causa da morte, o "óxido de carbono" gerado por um aquecedor a carvão cuja chaminé poderia estar entupida. Tudo muito estranho, falou-se em assassinato;

 ● Duvidosas foram as mortes por suicídio do falsificador comandante Henry que tanto prejudicou Dreyfus e de seus asseclas que participaram da farsa. No caso de Henry houve quem jurasse que fora ele visto e reconhecido em Buenos Aires.

● Schwartzkoppen, o alemão titular da embaixada alemã na França nos tempos do "caso", antes de morrer gritou pela inocência de Dreyfus; deixou um relato de suas relações com Esterharazy, o verdadeiro espião, que era remunerado e tolerado pelos alemães.


CONCLUINDO

A tragédia de Dreyfys, se fosse enredo de um filme, não seria tão empolgante, irritante e até emocionante. 

A ala antissemita da direita, que não pensava na justiça mas em condenar um judeu "traidor" dá uma ideia, mesmo sendo em França, do ódio que a nação judia atraía... e ainda atrai?

Essa realidade pode explicar o nazismo de Hitler na Alemanha, no início dos anos 20 do século passado que adotara sem segredos o antissemitismo e, nessa linha, sua ação trágica contra a nação judia.

Obs: o livro é muito bom, talvez raro. O meu exemplar de 1945, está caindo aos pedaços.


Um livro de EMILE ZOLA resenhado. Acessar:

(*) GERMINAL de Emile Zola


NOTA DE DIVULGAÇÃO

OS GRANDES PROCESSOS DA HISTÓRIA - O PROCESSO DREYFUS  de Paul Richard

Reli o livro e gostei muito. Um enredo de filme de suspense e injustiças não seria melhor que esse "original". Foi um processo vergonhoso para a França.

Alfredo Dreyfus,  militar francês dedicado, foi acusado de espionar para a Alemanha a partir de uma "minuta" obtida por uma espiã, faxineira, na Embaixada alemã na qual eram fornecidas algumas informações de naureza militar.

A letra parecia a de Dreyfus, mas não era a dele. Era de outro militar.

Mesmo inocente, ele foi condenado encaminhado à prisão da Ilha do Diabo e lá permaneceu por quatros até que, encontradas provas falsificadas, em novo julgamento, vergonhoso, foi novamente condenado. A Suprema Corte o absolveu 11 anos depois.

O curioso é que há 130 anos, era já dividida na França, a posição política entre os da "direita" e os da "esquerda". No caso Dreyfus, da "direita" eram os antissemitas que chamavam o judeu de "traidor", "à morte" ignorando as provas de sua inocência; os da "esquerda", incluindo intelectuais, lutavam por sua inocência, pelas provas do processo.

Acessar: 

https://resenhadoslivrosqueli.blogspot.com/2026/02/os-grandes-processos-da-historia-o.html