LIVRO 153
Eu lí outras obras de Veríssimo, mas não me lembro de ter gostando mais do que desta, uma surpresa pela temática e pela imaginação superior do autor. (*)
"O Senhor Embaixador" se situa na fictícia ilha de Sacramento, "localizada" no Caribe governada pelo ditador Juventino Carrera e como compzdre e aliado fiel, estava Gabriel Heliodoro Alvorado, aliado fiel do presidente.
Fora Heliodoro designado como embaixador da República de Sacramnento em Washigton iniciando-se a preparação para entrega das credenciais ao presidente americano Eisenhower.
Heliodoro era admirador de Abrahan Lincoln tanto que fez questão de visitar, antes da entrega das credenciais, o memorial do "lendario" presidente americano.
Heliodoro era um homem carismático, não falava inglês, tinha pouca instrução básica mas impressionava pelo seu porte e o 1,90 m. de altura. Não gostava que falasse de sua mãe, uma prostituta muito "ativa" tanto que ele não sabia quem era seu pai. Era casado com Francisquita, era avô e diria num momento grave que não fora bom marido, pai e avô.
Ele passou a ser respeitado nos meios diplomáticos de Washington enquanto embaixador.
Os personagens são estes, além do embaixador:
William B. Godkin jornalista da Amagalmeted Press, saudoso da esposa Ruth, que conhecia bem a política de Sacramento. Ele relatou nas suas reportagens muito da história de Sacramento chegando mesmo à tomada do poder por um grupo revolucionário comandado por Miguel Barros que derrubou o governo de Juventino Carrera.
Orlando Gonzaga, diplomata brasileiro, pouca influência na obra, mas fez críticas ao que se passava no país e no meio da corrupção criticou o próprio pai que sonegava impostos e, com a receita, comprova dólares. Amigo de Godkin e Pablo Ortega, que se reuniam num bar para trocar impressões de seus países.
O Autor não avançou no golpe militar de 1964 no Brasil, salvo em citações esparsas, "deixe o Brasil em paz". O livro é de 1965, muito coisa aconteceria dali para o futuro.
Pablo Ortega, diplomata de Sacramento, rico, filho de latifundiários, não gostava do seu governo, rejeitava Heliodoro mas o tinha como alguém envolvente que se dera bem até mesmo na presença de Eisenhower. Heliodoro o estimava bastante e, com o decorrer da história, Pablo também não desprezaria o embaixador. Ele se envolveu com a americana Glenda Doremus que escrevera um tese sobre Sacramento. Ela carregava trauma por ter sido estuprada por um negro que foi caçado pelo pai e cumplices sendo barbaramente morto. Mas, era um trauma de natureza psicológica porque Pablo descobriu na consumação do ato que ela era virgem. Ela se muda de Washington e corta a relação.
Clare Ogilvy, a secretária americana da embaixada de Sacramento, que tem papel importante na obra, pela influência que exercia sobre os demais servidores.
Ernesto Vilalva, o Titito, secretário diplomata, o homossexual da embaixada.
General Hugo Ugarte, adido militar, membro antigo do regime, torturador dos opositores, ao constatar que o governo estava perigando, fugiu covardamente para a Suiça com sua esposa Ninfa que o traia com o motorista do embaixador, Aldo Borelli.
Pancho Vivanco, responsável pelo serviço consular. Transferido para a embaixada a pedido do embaixador Heliodoro, porque sua esposa Rosália era sua amante. Pancho sofria quando a esposa, que também sofria ao ser preterida por outra amante, a americana Frances Andersen Warren. Na porta da embaixada, por ciúmes e desgosto, tentou matar o embaixador. Errou o tiro e foi morto pelo guarda noturna da embaixada. Rosália tentou o suicídio.
Dr. Jorge Molina, ministro conselheiro, introspectivo, silencioso, estudou vários anos em siminário. Mantinha seus rituais religiosos franciscanos, sempre que a sós; pensou seriamente em suicídio pelas suas angústias, mas num dado momento reconheceu a alegria da vida e resolveu se mudar para a Espanha, onde poderia lecionar.
ENREDO
Carrera era ditador de Sacramento até que venceram os aliados a 2ª Guerra. Então, a Embaixada Americana, sugeriu a ele que era hora de viver a Ilha sob regime democrático. Houve eleições sendo eleito Júlio Moreno. Mas, o presidente eleito começou a investigar a fortuna de Carrera e outros membros do governo, obrigando-os a fugirem do país. Na investida dos rebeldes contrs o governo democrático, entre eles Heliodoro — que buscava a volta ao poder do seu compadre —, o presidente fora encontrado morto vitimado por ataque cardiáco quando da invasão do palácio do governo. Voltou a ditadura de Carrera.
No Brasil isso também ocorreu, Getúlio Vargas foi deposto por militares de suas relações pela mesma causa, o fim da 2ª guerra. Não constando que fora "sugestão" americana.
Sob o governo de Juventino Carrera houve torturas severas, comandadas pelo chefe do polícia, Pedro Zabala, odiado no país.
Leonardo Gris, exilado nos Estados Unidos, ex-professor de Pablo Ortega que o admirava profundamente, crítico implacável do governo de seu país, num dado momento desaparece, surgindo várias teorias de conspiração não comprovadas, inclusive de que fora assassinado por ordem de Heliodoro.
A política em Sacrmento começa a mudar, com forças rebeldes que descem dos morros objetivando tomar o poder.
E assim se dá, com o comandante Miguel Barros e o cérebro do movimento, Roberto Valência, um movimento vitorioso.
Tomam o poder. Juventino Carrera consegue fugir no seu avião particular, ajudado por Heliodoro que voltara à Ilha para defender o governo. Heliodoro é ferido e preso.
Pablo Ortega se une aos revolucionários é passa a enfrentar Roberto Valência, o autor intelectual frio do golpe, impessoal e homicida, que dele diverge. Começaram os fuzilamentos na "Plaza del Toro", um espetáculo público. O fuzilamento de Pedro Zabala o policial odiado, foi comemorado ruidosamente.
Pablo tenta conter a postura revolucionária implacável de Valência. Este substimava Ortega pela sua origem de família rica Ele preconiza uma revolução humanista em benefício do povo e da liberdade de expressão. E, então respondeu Valência: "Liberdade! Em nome desse mito, vocês escritores burgueses, há séculos vêm produzindo uma iiteratura completamente alienada de luta de classes, de realidade social".
Talvez, o Autor tenha pensado em pouco em Che Guevara e sua influência em Cuba na ditadura comendada por Fidel Castro porque fora instaurada na ilha "el paredon" no qual os opositores eram fuzilados.
Gabriel Heliodoro Alvorado seria julgado pela justiça revolucionária devendo ser condenado ao fuzilamento.
Pablo Ortega então informa que será seu advogado de defesa, gerando a perplexidade do ditador Miguel Barros e de Valência.
Nos encontro dos dois na prisão na preparação da defesa possível, Ortega e Heliodoro se reconhecem. O prisioneiro gostava de Ortega e este constatara que não odiava o ex-embaixador.
Heliodoro é condenado à morte e na sua execução, entre ironias, grita aos atiradores:
— Atirem duma vez, filhos duma...
O livro contém 400 páginas.
Referência
(*) Do mesmo Autor: INCIDENTE EM ANTARES
NOTA DE DIVULGAÇÃO
LIVRO 153
O SENHOR EMBAIXADOR de Érico Veríssimo
Gostei do livro.
A história se passa, predominante, na embaixada da ilha fictícia de Sacramento "localizada" no Caribe. Nomeado embaixador em Washington, pelo ditador Juventino Carrera, Gabriel Heliodoro Alvorado, seu aliado e compadre.
Carismático, com seu 1,90 de altura, com baixa instrução formal, não falava inglês, mas se tornou respeitado na comunidade diplomática.
Embora casado e avô — seus familiares ficaram em Sacramento —, tinha Rosália como amante, à vista de todos, inclusive do marido dela, que num momento depressivo tentou assassinar o embaixador.
Hà muitas discussões políticas em torno do regime ditadorial de Sacramento, até que rebeldes tomam o poder, começando as execuções em massa na Plaza del Toro. Plabo Ortega, membro da embaixada volta ao seu país e se une aos rebeldes e em meio a muitos questionamentos, se se oferece para defender Heliodoro preso e condenado à morte.
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