Livro 148
Consierações iniciais
A edição desse livro que está comigo é de 1945. Eu não consegui informação de quando foi ele publicado n\ França, talvez no final da década de 30.
É livro-documento.
Ele relata um dos maiores escândalos judicial-militares da França: o processo (Alfredo) Dreyfus um mlitar dedicado, rico, injustamente acusado de alta traição espionando a serviço da Alemanha.
O processo teve início em 1894 sob aquela acusação; eclodiu na França de modo tão momentoso, não demorando posições apaixonadas, de solidariedade porque as provas não o incriminavam e até o absolviam, ou ódio - ódio porque Dreyfus era judeu e como tal, "sórdido", "traidor", "que morra".
O documento que resultou nesse escândalo, tratava-se de uma minuta trazida pela faxineira francesa que trabalhava na embaixada alemão — agia como espiã — supostamente obtida no cesto de lixo. O documento citava: funcionamento do freio hidráulico do 120 e a capacidade dessa peça, uma informação sobre modificações na formação da artilharia...
E a letra era parecida com a de Dreyfus, mas não igual. A letra do documento pertencia a outro militar precisando de dinheiro, um certo Esterharazy que ofereceu seus préstimos à Alemanha.
Mas, Dreyfus foi acusado como autor e o processo chegou às raias do absurdo, um escândalo que a França se redimiu, onze anos depois, mas jamais equilibraria a vida do acusado.
Então, há mais de 130 anos, o Autor identifica bem esses grupos antagônicos: de "direita", os que ignoravam as provas falsas contra o "espião" e o desprezando, porque era judeu pelo que gritavam pela sua condenação e até execução porque "traidor"!; os da "esquerda", no qual se uniram personalidades, apontavam as falhas das provas, o encaminhamento parcial do processo e, na sua tramitação, um timbre de antisemitismo,
Primeiro julgamento
O primeiro julgamento, o condenou à deportação perpétua. Foi conduzido à prisão na Ilha do Diabo, na Guiana Francesa, proibido de se dirigir aos vigilantes: era proibido falar. A um boato de que havia planos de fuga, ela foi acorrentado. A tortura física e moral.
Sem perspectiva de libertação, em janeiro de 1898, o escritor Emile Zola publicou um longo artigo, "J'accuse", no qual faz severas criticas ao julgamento vergonhoso, aos seus julgadores. Um documento tão longo quanto admirável:
Eu acuso o Ten. Coronel Paty de Clam, como agente do erro judicial e por haver defendido sua obra nefasta por três anos com maquinações insanas e culpadas. Eu acuso o general Mercier por haver-se tornado cúmplice, ao menos por fraqueza, de uma das maiores iniquidades do século.
Por ter tomado partido com tamanha veemência, foi Zola condenado a um ano de prisão, punição recebida sob o furor do populacho que o via também como traidor: "Abaixo Zola", "morram os judeus". Zola se refugiou na Inglaterra. (*)
Rui Barbosa é citado como defensor do condenado. Escreveu ele em 1895 num jornal do Rio de Janeiro:
"Esse homem estava condenado na alma dos seus compatriotas, antes de o ser pelo Triunal secreto que o julgou. Várias semanas antes do julgamento, o ministro da Guerra se declarava convencido da culpabilidade do acusado".
Mas, então, começa-se a achar elementos que levariam à inocência do condenado anos depois:
Diz o autor:
"Então se entabula um diálogo histórico:
Gonse — Que lhe importa que esse judeu fique na Ilha do Diabo
Picquart — Mas, é inocente meu general!
Gonse — É um assunto que não se pode voltar; o general Mercier e o general Saussier estão envolvidos nele.
Picquart — Mas é inocente!
Gonse — Se você não disser ninguém saberá.
Picquart — O que diz é abominável meu general! (...)
(Picquart seria um dos aliados de Dreyfus, até a sua absolvição, declaração de inocência e reabilitação militar).
Dreyfus foi libertado sendo intimado a novo julgamento que se daria, em Rennes, por outros julgadores do Conselho de Guerra.
Mas, fora ele de novo condenado, por 5 votos a 2 a despeito da imensa prova de sua inocência, provocando grande comoção na França e assombro no mundo. Exultaram os da "direita" que atacavam o judeu.
Por essa segunda condenação vergonhosa, Dreyfus passou a ser apoiado por personalidades do mundo inteiro, ai incluidos o papa Leão XIII, o escritor Anatole France, Emile Zola, a Rainha da Inglaterra, o Tzar da Rússia, a atriz francesa mais famosa da época, Sarah Bernhardt, politicos e mandatários; houve manifestações alemãs que afirmavam desconhecer o condenado.
Mas, o governo, em reunião tensa, porque o acusado era notoriamente inocente, ofereceu a Dreyfus o indulto, solução mal recebida, porque o libertava da prisão mas não proclamva sua inocência que ele gritava insistente aos quatro ventos.
O ato seguinte do governo, foi conceder a anistia geral pelo que todos foram perdoados, menos Dreyfus que queria "sua honra de volta".
Pedida por ele a revisão da decisão de Rennes perante a Suprema Corte, seu pedido foi acolhido e anulada aquela condenação: "Declara-se que essa condenação foi ditada por erro e sem razão".
Sarah Bernhardt numa carta remetida a Dreyfus lê-se este trecho:
"Não sofra mais, caro mártir nosso. Olhe em torno mais longe, mais longe ainda e verá essa multidão de seres que o amam e defendem contra a covardia, a mentira e o ódio. Entre estes seres está sua amiga."
Mateus Dreyfus, irmão, e a esposa Lúcia tiveram papel relevante nesse desfecho.
A partir dai Dreyfus foi reitegrado ao exército com todas as honras chegando a participar da Grande Gerra de 1914.
Ele faleceu em 1935 e às vezes murmurava: — Não tive sorte nesta vida... não tive sorte.
Muitas suspeitas
● Emile Zola foi assassinado? Em 1902 ele foi encontrado morto no quarto de um hotelzinho em Paris, dando-se a causa da morte, o "óxido de carbono" gerado por um aquecedor a carvão cuja chaminé poderia estar entupida. Tudo muito estranho, falou-se em assassinato;
● Duvidosas foram as mortes por suicídio do falsificador Henry que tanto prejudicou Dreyfus e de seus asseclas. No caso de Henry houve quem jurasse que fora ele visto e reconhecido em Buenos Aires.
● Schwartzkoppen, o alemão titular da embaixada alemã na França nos tempos do "caso", antes de morrer gritou pela inocência de Dreyfus; deixou um relato de suas relações com Esterharazy, o verdadeiro espião, que era remunerado e tolerado pelos alemães.
CONCLUINDO
A tragédia de Dreyfys, se fosse enredo de um filme, não seria tão empolgante, irritante e até emocionante.
A ala antisemita da direita, que não pensava na justiça mas em condenar um judeu "traidor" dá uma ideia, mesmo sendo em França, do ódio que a nação judia atraía... e ainda atrai?
Essa realidade pode explicar o nazismo de Hitler na Alemanha, no início dos anos 20 do século passado que adotara sem segredos o antisemitismo e, nessa linha, sua ação trágica contra a nação judia.
Obs: o livro é muito bom, talvez raro. O meu exemplar de 1945, está caindo aos pedaços.
Um livro de EMILE ZOLA resenhado. Acessar:
NOTA DE DIVULGAÇÃO
OS GRANDES PROCESSOS DA HISTÓRIA - O PROCESSO DREYFUS de Paul Richard
Reli o livro e gostei muito. Um enredo de filme de suspense e injustiças não seria melhor que esse "original". Foi um processo vergonhoso para a França.
Alfredo Dreyfus, militar francês dedicado, foi acusado de espionar para a Alemanha a partir de uma "minuta" obtida por uma espiã, faxineira, na Embaixada alemã na qual eram fornecidas algumas informações de naureza militar.
A letra pareceia a de Dreyfus, mas não era a dele. Era de outro militar.
Mesmo inocente, ele foi condenado encaminhado à prisão da Ilha do Diabo e lá permaneceu por quatros até que, encontradas provas falsificadas, em novo julgamento, vergonhoso, foi novamente condenado. A Suprema Corte o absolveu 11 anos depois.
O curioso é que há 130 anos, era já dividida na França, a posição política entre os da "direita" e os da "esquerda". No caso Dreyfus, da "direita" eram os antissemistas que chamavam o judeu de "traidor", "à morte" ignorando as provas de sua inocência; os da "esquerda", incluindo intectuais, lutavam por sua inocência, pelas provas do processo.
Acessar:
https://resenhadoslivrosqueli.blogspot.com/2026/02/os-grandes-processos-da-historia-o.html

.jpg)



