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sábado, 3 de janeiro de 2026

ILUSÕES PERDIDAS (A Comédia Humana) de Honoré de Balzac

 LIVRO 146











(Adoto spoiler)

introdução

Esse volume, um dos exemplares de "A Comédia humana" composta de 89 romances e o principal dele é este das "Ilusões perdidas", contendo 629 páginas. Escrito entre 1835 a 1843 com minúcias impressionantes daí ser um jogo de paciência ler a obra, eu me pergunto como o Autor pôde escrever tanto, com penas precárias. Numa passagem do livro ele faz menção à pluma que seria utilizada para assinar um contrato. No século XIX, depois das penas predominantes de ganso, foram introduzidas penas de metal.

O livro é denso ao extremo e não dividido em capítulos. O Autor discorre sobre a produção de papel, cuja matéria prima eram trapos — o personagem David passa praticamente a obra toda pesquisando a produção de papel melhor e mais barato. O Autor descreve até mesmo o sistema judiciário francês de cobrança de dívidas.

Claro que no jogo dos personagens, ele descreve a arrogância e a futilidade da sociedade de Angouléme — cidade não próxima de París — e de Paris, a ambiguidade dos jornalistas que adquiriam influência social por seus artigos elogiosos ou críticos e dos empresários desse ramo na busca do lucro.

personagens

DAVID SÉCHARD: tipógrafo por injunção do pai, o velho Jérôme-Nicolas Séchard, que lhe arrendou uma tipografia, mas cobrava alugueis do estabelecimento. Esse velho paí é apresentado como sovina ao extremo que começou a enriquecer como vinhateiro. Em nada ajudava o filho e até o desprezava. O velho sequer deu a parte dos direitos pelo falecimento da mãe ao filho. David não reagiu porque teria que instaurar um processo judicial penoso cujo desfecho poderia durar muito

David era boníssimo, tinha competidores fortes no ramo, era traido por eles, especialmente os irmãos Cointet. 

Num dado momento iniciou pesquisas para produzir um novo tipo de papel, mas eficiente e mais barato, alternativa aos trapos como matéria prima.

Ele tinha dois colaboradores fieis, Marion e Kolb.

David e Lucien eram amigos íntimos, quase irmãos. Lucien nas aventuras em Paris, arruinado, assinou duas letras falsificando a assinatura de David, com prazo de pagamento no vencimento. Cobrado o título David não tinha condições de pagar e, depois de se esconder, é preso. Ele saiu de onde se escondia por um bilhete falso assinado por Lucien,

David, antes desses eventos se casou com Eve, irmã de Lucien que tinha forte influência sobre o irmão e sobre o marido. Nos momenos difícieis da vida conjugal pelas dividas, fora ela, mesmo na sua dor, quem mantivera os negócios com um minimo de produtividade. 

EVE CHARDON, filha do boticário Chardon e de Charlotte Chardon, mas essa Charlotte por herança familiar, tinha um nome ilustre, Rubempré. Eve, irmã de Lucien, jovem linda se casara com David que passam a ter vida de trabalho e felicidade mas tudo se complica com o dívida feita por Lucien, falsificando a assinatura de David e, também, a concorrência desleal. Ela coordenava os trabalhos da tipografia, junto com Marion e Kolb.

LUCIEN CHARDON

Filho do boticário, pobre, irmão de Eve tinha traços femininos, de uma beleza incomum, era talentoso na poesia, no romance e depois no jornalismo. Por esse talento era admirado pelo cunhado David e amado pela irmã e a mãe, a senhora Chardon.

Por esse talento, de modo sutil foi se aproximando da sra. de Bargeton, a Louise a dama mais influente de Angouléme, passou  fequentar a mansão dela para apresentar seus poemas.

Ela era casada, mas nos tempos atuais, seu marido teria má fama... e a diferença de idade entre o marido e a esposa era de 22 anos.

Ela demonstrava amar o jovem Lucien, mas havia também a diferença de idade pelo que ela mantinha reservas.

Esse amor correspondido, ensejou que fosse flagrado Lucien com a cabeça apoiada nos joelhos da mulher. Um certo Stanislas espionava e a cena fora ampliada a níveis comprometedores principalmente a Louise. 

Toda a sociedade de Angouléme ouviu várias versões. Stanilas constrnagido não quis se retratar resultando num duelo entre ele e o marido Bargeton. Stanilas leva um tiro no pescoço que o torna "torto".

Com isso, Louise resolve se mudar para Paris, se aproximando da sra. d'Espard parente distante, mas convida Lucien para acompanhá-la comprometendo-se a o apresentar à sociedade parisiense, abrindo espaço para sua ascensão social, mas usando o nome "nobre" da mãe, Rubempré.

Mas, em Paris, o rival de Lucien, barão Châtelet revela que o nome dele era Chardon e não Rubempré, nome da mãe, isto é, sem nobreza, proletário.

Por injunção da sra. d'Espard ele acaba sendo abandonado pela própria sra. de Bargeton e fica praticamenrte à mingua em Paris. Faz amizade com um escritor num restaurante popular que o apresenta a jornalistas e escritores e, por causa do seu talento, é aceito nessa comunidade e começa a escrever para jornais.

Torna-se famoso. conhece a linda atriz Coralie, tornam-se amantes, faz criticas a obras de seus amigos, ironiza a sra. de Bargeton e a sra. d'Espard, assume posição política.

Assim, arruina-se, morre sua amante e, em desespero Lucien volta a pé de Paris, arrasado mas para sua surpresa, é aclamado como heroi em Angouléme pelos seus êxitos em Paris.

Mas, essas homenagens tinham em conta, engendradas por um solicitador, Petit-Claud descobrir o local onde se escondia o cunhado para ser preso por dívida (dos títulos falsos de Lucien) e obter o segredo do novo tipo papel que David pesquisava. Isso tudo era tramado pelos irmãos Cointet, donos prósperos de tipografia.

Com a prisão de David, Lucien em desespero prepara-se para se suicidar, mas é amparado por um padre meio sinistro que faz do jovem uma escpécie de secretário que se "vendeu" em troca de valores para saldar a dívida  de David.

O que acontece com Lucien, informa o Autor que tal se revela em outra obra!

SRA. DE BARGETON

Na sua mudança para Paris após a repercussão da intimidade com Lucien, é acolhida pela sra. d'Espard da alta sociedade, prima distante.

Por causa da sra. d'Espard e do rival de Lucien, Châtelet, que revelou seu nome proletário (Chardon), o poeta passa a ser desprezado pela sociedade.

A sr. de Bargeton enviúva e se casa com o barão Châtelet.

Com o tempo ele assume alto cargo político e o casal volta para Angouléme — ele como governador — e ela com o mesmo brilho social passa a ser chamade de governadora. Ela era agora a Sra. Du Châtelet, mas sempre a Louisie que amava Lucien.

O reatamento com Lucien não se firmou porque o amante se afastou da cidade pensando em suicídio — que não se efetivou.


Desfecho

Depois de tanto sofrimento, pobreza, dívidas de Lucien que falsificou assinatura de David em titulos de crédito exigíveis no vencimento, e tentativas de inventar e ser inventor, herdou a fortuna do paí que falecera em 1829.

 David e Eve passaram a usufruir da riqueza e da tranqulidade. O casal foi genitor de dois meninos e uma menina.

Todos os outros personagens acabam bem:

Os irmãos Cointet que conspiraram contra David e sua pesquisa de papel levando-o à prisão, a ele se associaram, mudaram o modo de conviver com o jovem Séchard e acabam enriquecendo. 

O solicitador Petit-Claud com o casamento arranjado sobe na profissão, reconhece o jogo duplo que fez se associando aos irmãos Cointet, em prejuízo a David e Eve e sua pesquisa, mas se reconcilia com eles.

Trechos

"— Mas o que se pode dizer contra esse livro? Ele é bom exclamou Lucien.

— Ora, bolas, meu caro, aprenda o seu oficio — disse Lousteau, rindo. Mesmo que o livro seja uma obra-prima, com uma penada, você pode transformá-lo numa tremenda bobagem, numa obra perigosa e nociva.

— Mas como? 

— Translormando as belezas em defeitos.

— Eu sou incapaz dessa proeza.

— Meu caro, jornalista é acrobata; você precisa se acostumar aos incômodos da posição. Olhe só como eu sou bonzinho?"

 ▬ / ▬ / ▬

"— Entendo que não sou livre para escreveer? 

— Ei! Que importância tem isso, se você está ganhando uns cobres — exclamou Lousteau".

 ▬ / ▬ / 

"Lucien mantinha-se em silêncio, não tinha vontade de arrancar mais nada daquele padre.

— Uns descendem de Abel, outros de Cain — disse o cônego, terminando —  eu sou mestiço, Caim para os inimigos, Abel para os amigos. E ai de quem desperta o Caim!..."



NOTA DE DIVULGAÇÃO

Livro 146:

ILUSÕES PERDIDAS (A Comédia Humana) de Honoré de Balzac

Trata-se de livro extenso com 629 páginas, não dividido em capítulos, a minha edição com fonte miúda. que exigiu muita paciência para chegar ao fim. Mas, essa obra com outras do Autor é considerada "monumental".
É a história de David e Eve, e o cunhado Lucien, com traços femininos, "lindo" que recebe a atenção da principal matrona da cidade, sra. de Bargeton, pelos seus dotes de poeta. 
Eles se amam, mas há restrições pela idade. 
Por causa de uma cena nada comprometedora, revelada na cidade, ela muda para Paris e convida Lucien para a acompanhar. 
Ele era pobre e por causa disso acaba sendo desprezado. E em Paris à míngua, ele supera as dificuldades, tornando-se jornlista.
Claro que no jogo dos personagens, o Autor descreve a arrogância e a futilidade da sociedade, a ambiguidade dos jornalistas que adquiriam influência social por seus artigos elogiosos ou críticos tantas vezes sem escrúpulos.
Acessar: 
https://resenhadoslivrosqueli.blogspot.com/2026/01/ilusoes-perdidas-comedia-humana-de.html







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