LIVRO 150
Com spoiler
UM LIVRO INTERMINÁVEL
A edição que possuo em dois volumes, impresso com fonte minúscula, contém 1224 páginas.
O primeiro volume foi "aterrador", com descrições intermináveis, vestidos azuis, rosto do personagem, o formato da boca, reuniões sociais e bailes em profusão.
Bom, reuniões sociais e bailes, eram a diversão da classe abastada naqueles idos.
No 2º volume a descrição do que estaria pensando Kutozov — comandante em chefe russo — no enfrentamento ao exército de Napoleão (!), a comparação do abandono de Moscou diante da invasão francesa com uma colmeia abandonada pelas abelhas, o momento de encaixotar utilidades da família Ilia na pressa de fugir a família de Moscou. Arre! O esforço de voltar a essas páginas e páginas de "valor literário", tantos dirão, mas a angústia de abrir o livro e seguir em frente, mesemo depois da milésima página.
● É preciso explicar que são muitos os personagens que entram e saem da imensa obra de Tolstoi.
● Outro ponto: os termos conde, príncipe e princesa são usados na obra para qualificar seus personagens.
● Há um lapso no tempo, o grande Tolstoi, a meu ver pode ter perdido um pouco as datas, De 1805 a 1812 parecia revelar que tudo continuava de um dia para outro. Um detalhe adicional: antes do evento morte de André descrito na obra, Pedro já havia sido informado de sua morte (?)
● Algo que chama a atenção: naquelas estradas precárias, tudo e todos conduzidos por carruagens, caleças puxadas a cavalo; na guerra incluindo provisões e canhões durante a invasão napoleônico. E também á noite, muitas vezes com apenas a luz de vela. Quem havera de se queixar?
● A obra foi escrita entre 1865 a 1869 tudo escrito com pena de madeira com tinta roxa, contendo rascunhos de rascunhos.
PERSONAGENS E ENREDOS
PEDRO BEZUKHOV
É o personagem principal.
Pedro era filho natural do Conde Bezukhov. Ele era dono de imensa fortuna e estava muito doente.
Príncipe Basilio - que seria sogro de Pedro, por parte da esposa e três irmãs se diziam herdeiros de Bezukhov mas em testamento toda a fortuna foi concedida ao filho Pedro.
Pedro, alto, um pouco obeso, recebido com reservas na sociedade russa, foi se impondo até pela riqueza e por injunção do príncipe Basílio por quem conheceu sua filha Helena, mulher deslumbrante que tomava conta dos salões e bailes.
Nesse namoro um dia Pedro, de modo inconvicto, disse que a amava.
Se casaram, mas a "estampa" da esposa que chamava a atenção de todos, levou a que um dos frequentadores da mesma roda social dele, Dolokhov insinuou que ela o traía . Foi num brinde às mulheres bonitas e então, "Pedroca, à saúde das mulheres bonitas e de seus amantes".
Pedro age com agressividade e às ofensas marcam um duelo para o dia seguinte.
Pedro acerta um tiro na perna de Dolokhov, encerrando-se o duelo.
Ao saber das razões, Helena faz um escândalo por ter ele acreditado na sua infidelidade.
Eles se separam.
Nessa angústia e sem motivação, ele conhece numa viagem um idoso que dizia o conhecer, saber de sua infelicidade e à dúvida de Pedro, como resolver essas dificuldades, o idoso o convida a ingressar na Franco-Maçonaria.
E por que era Pedro infeliz -—"mas que jeito posso dar?":
— Vós não O conheceis, meu caro senhor: eis porque sois muito infeliz. Não O conheceis e ele está aqui. Está em mim. Está nas minhas palavras. Está em ti e até nas palavras sacrílegas que acaba de pronunciar! — disse o maçon com voz severa, mas trêmula.
E ele ingressa na Maçonaria sendo-lhe dado a conhecer as sete virtudes que correspondem aos sete degraus do templo de Salomão, "que cada maçon é obrigado a cultivar em si" As virtudes: 1 º - A discrição que guarda os segredos da Ordem; 2º - A obediência aos altos dignitários; 3º - Os bons costumes; 4º - O amor à humanidade; 5º - A coragem; 6º - A generosidade; 7º - O amor à morte.
Pedro por seu bom coração, aquele físico avantajado, os óculos, é sempre bem recebido nos ambientes familiares e terá influência em conflitos que se seguirão.
Passa um tempo e o sogro consegue que Helena e Pedro reatem o casamento, mas não as relações conjugais. Ela continuou dominando os salões.
E ele pensava na infidelidade dela...
Pedro, durante a guerra, se imiscou nos locais das batalhas, acabou preso pelos franceses que não foram hostis com ele, mas na prisão, viveu precariamente. Foi um golpe assustador a execução pelos franceses, de incidiários de Moscou.
Sua esposa Helena faleceu doente (angina no peito) e depois de muitas passagens, com a morte do estimado príncipe André, que fora noivo de Natacha ele, Pedro, se casou com ela, e tiveram quatro filhos. Natacha deixara aqueles chorinho constante e se tornou mãe dedicada.
E foram felizes para sempre.
FAMÍLIA: CONDE NICOLAU BOLKONSKI (PAI), MARIA E ANDRÉ
O conde, pai de Maria e André é um idoso muito mal humorado que humilha sua filha, "solteirona" e, quanto ao filho, é mais condescendente.
Nas guerra Rússia — Áustria x França, André como militar, "ajudante de campo" era bastante ativo nos conflitos, no apoio aos comandantes. É mortalmente ferido e dado como morto pelos franceses. Ele era de compleição "um tanto delicada".
Napoleão olhando para André estendido de costas, ao lado da bandeira, arrebatada pelos franceses como troféu, disse:
— Eis uma bela morte...
Mas, no dia do nascimento de seu filho, ele retorna à família sem explicação de como se salvou e sofre o impacto da morte de sua esposa Lisa no parto, mas sobrevive o filho.
Ele então parte para trabalhos no campo, emancipa os camponeses a ponto de ouvir este comentário:
— Ah! Sois vós, então, príncipe, que haveis emancipado vossos camponeses? com ar desdenhoso.
Diante disso, ele se põe a exercer serviços da família até que conhece Natacha, uma jovem linda. Ele era bem mais velho que ela. Ambos se apaixonam, mas por recomendação de seu pai, ele adia o casamento por um ano e viaja para o exterior.
O casamento não se realiza.
O principe André é ferido gravemente na guerra mas por coincidência é salvo pelo "comboio" da própria família de Natacha que dele cuida até sua morte. Maria, sua irmã se alia a Natacha nesses momentos e se tornam amigas.
FAMÍLIA ROSTOV: CONDE ILIA ANDREITCH E CONDESSA ROSTOV (PAIS), NICOLAU, NATACHA E O MENINO PÉTIA.
Convivia com a família, como "filha de criação" Sônia. Ambas, Natacha e Sônia eram lindas e muito amigas.
Nicolau se alistou e foi para o campo de batalha, prestando bons serviços.
"Uma nuvem passou sobre o sol. Rostov viu à sua frente outras padiolas. Então o horror que elas lhe provocavam, seu modo da morte, seu amor pelo sol e pela vida, tudo se confundiu numa impressão de mal-estar e de angústia",
Ele venerava o imperador russo Guilherme I estava sempre na expectativa de o encontrar no campo de batalha:
"E Rostov, levantando-se, foi vagar pelos bivaques, sonhando com a felicidade que seria morrer, não para salvar a vida do imperador, do que se julgava indigno, mas muito simplesmente morrer sob seus olhos." (?!)
Quando ele volta por um período do campo da guerra ele ajuda os negócios da família em crise mas se envolve com Dolokhov o mesmo do duelo com Pedro, em cuja disputa foi ferido.
Esse Dolokhov se mostra exímio "carteador", podendo ser trapaceiro. O caso é que ele ganha uma valor elevado de Nicolau que se vêvobrigado a pedir ao pai o valor perdido, que fica assombrado.
Há a descrição de uma caça liderada por Nicolau, um divertimento, mas de uma crueldade extrema. Os animais perseguidos foram um lobo e um coelho que fugiam de uma imensa matilha de cães treinados. E, pegos, foram trucidados.
Nicolau tinha muita consideração, amor por Sônia, pensava em se casar, mas os pais não recebiam bem o casamento, porque Sônia era da casa e pobre.
Natacha, estrela dos salões, muito jovem, linda, encantadora se apaixonara por André e demonstrava inconformismo em ter que esperar o noivo por um ano que saíra em viagem.
Nesse meio tempo, com o pai em Moscou e a amiga Sônia, hospedados na casa de Maria Dmitrievna teve Natacha oportunidade de frequentar festas, bailes e teatros.
Numa apresentação teatral, conheceu Anatólio, irmão de Helena que se encantou por ela e de outros encontros, ela se apaixonou por ele, sofrendo pelos dois amores. O outro era o noivo André.
Quando na Polônia com sua guarnição, um fidalgo rural obrigou Anatólio a se casar com a filha e, para continuar a vida de desocupado, pagava uma pensão ao sogro para se apresentar solteiro.
Alguns sabiam de seu casamento "clandestino", inclusive Pedro, o cunhado.
A paixão de Natacha chegou a tanto que aceitou um rapto consentido (?) fugindo com Anatólio que não dera ouvidos ao seu amigo Dolokhov que o desincentivava da aventura.
Sônia lendo uma carta de Anatólio, percebeu tudo. Desesperada ficou a postos no corredor para impedir a fuga de Natacha — sua "irmã" de convívio.
Sônia não pode esconder a Maria que chegava, o plano do rapto ao demonstrar seu desespero. Maria impediu o rapto.
Natacha sofreu muito, chegando a ingerir uma dose de veneno ao saber que o raptor já era casado.
Pedro obriga que Anatólio deixasse Moscou. Pedro deu-lhe dinheiro para que voltasse a Petersburgo.
Nicolau que havia se comprometido a se casar com a "prima" Sônia, pelo estado precário das finanças da família, se casa com a "feia" — fica bonita quando chora —mas rica Maria, irmã do falecido André — o pai cruel com ela havia falecido — e, devagar, ele paga todas as dívidas de sua família.
Sônia na história perde relevância.
Pétia, adolescente, mas alistado no exército russo, participando dos combates, foi morto.
FAMILIA: PRÍNCIPE BASILIO SERGUEITCH (PAI) HELENA E ANATÓLIO
O sogro de Pedro, nos tempos antes de confirmar o testamento do pai, no qual recebeu toda sua fortuna, tentou atravessar a solução normal, ajudando duas supostas candidatas a também serem herdeiras.
Mas, foi ele quem aproximou a filha Helena de Pedro, resultando num casamento tumultuado.
Pedro era ofuscado pela beleza da esposa que, no teatro, Helena se apresentou "seminua"! E o seu camarote era bem frequentado pelos "homens distintos".
Ele também saiu a campo para casar o filho Anatólio com uma boa noiva, rica. Mas, os contatos com a "candidata" princesa Maria (outra) e seu pai. Maria não era bonita e disse que não queria casar, não queria separar-se do pai. E pensou: "Minha vocação é outra (...) Sou chamada a conhecer outras alegrias, as do sacrifício e do amor ao próximo".
Tornara-se Anatólio em Petersburgo, um "bon vivant", gastando dinheiro do pai que, por isso, para algum controle sobre ele, e o obrigou a voltar a Moscou.
A partir daí, em Moscou, seu romance falso com Natacha e o rapto que engendrara, impedido, foi obrigado a voltar para Petersburgo.
Helena falecida permite que Pedro se case com Natacha cujo noivo (André) morrera.
Anatólio, na guerra, teve uma perna amputada e morre sem maiores detalhes.
GUERRA RÚSSIA - FRANÇA
A obra explora à exaustão o conflito entre Rússia contra a França de Napoleão. O francês, rigorosamente, fazia guerra de conquista, o gênio bélico, admirado.
Páginas e páginas se referem às movimentadas manobras de tropas de lado a lado, sempre dando destaque aos príncipes André e Rostov e suas ações de apoio aos comandantes.
Sim, há descrição de soldados mortos.
Na estampa abaixo, Napoleão, "homenageando", André, ferido mortalmente, "virtualmente" morto. A tal da "bela morte"...
Um comentário sobre a guerra nessa fase:
— Podereis dizer-me - perguntou Chinchin, - por qual motivo fazemos guerra a Napoleão? Qual o demônio maligno que nos atiça? Já abateu ele a proa da Áustria. Creio aue agora será nossa vez.
● Em 1812 Napoleão e seu exército de 600 mil soldados com armas pesadas, incluindo canhões, invadiram a Rússia numa guerra de conquistas. Assarasam Moscou, parte incentidada, saqueada, mas o clima de inverno, o cansaço, a fome, inclusive dos animais, Napoleão fugiu derrotado, com milhares de mortos de lado a lado.
● O comandante em chefe, Kutuzov, idoso e por isso cauteloso, não saiu no encalço de Napolão para aprisiná-lo. Criticado até pelo Imperador Guilherme I por essa fraqueza, foi defendido, porém, por Tolstoi sob argumento que houvera a preservação da vida de milhares de soldados russos e também franceses. Com guerrilhas eficientes, foram mortos milhares de francesas quando das batalhas.
● Frase atribuida a Napoleão sobre Moscou: — De resto, o grande número de conventos é igrejas é sempre sinal de civilização atrasada.
● Forças da guerra que estão além do livre arbítrio:
Tolstoi defende, em paginas e páginas o argumento de que a essas ações militares, esses conflitos "é necessário renunciar à liberdade da quai temos consciência e reconhecer uma dependência que não sentimos".
Ou
"Se bem que seus atos pareçam emanar do livre arbítrio, náo há um só deles que seja voluntário no sentido histórico da palavra, mas todos estão ligados à marcha geral da História e determinados desde toda eternidade".
De Leon Tolstoi, acessar
NOTA DE DIVULGAÇÃO
GUERRA E PAZ de Leon Tolstoi
LIVRO 150
Um livro com 1250 páginas "interminável", deu-me alguma angústia de chegar ao fim depois de lidas umas 900.
A história se passa na Rússia, mais em Moscou e São Petersburgo nos anos anteriores à invasão de Napoleão no país, durante e depois dea invasão.
Os abastados da história, são afetados pela invasão francesa, abandonam Moscou enquanto cidade de depredada e saqueada.
O principal personagem é Pedro Bezukhov, destacando-se a jovem e linda Natacha, o príncipe André, Nicolau Rostov, que de um modo ou outro se envolvem na guerra contra Napoleão e seu exército. Mas, Napoleão foge da Rússia derrotado, pela fome dos soldados — e dos animais — pelo inverno rigoroso. As guerrilhas russas produziram milhares de baixas francesas.
Sobre a guerra há páginas incontáveis relatando manobras de tropas e batalhas.
Acessar: https://resenhadoslivrosqueli.blogspot.com/2026/06/guerra-e-paz-de-leon-tolstoi.html


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