LIVRO 156
Esse livro na estante não poucas vezes voltou às minhas mãos. Eu o tinha com certa reserva, mas resolvi saber o que ele relatava. A edição que está comigo, à qual desconheço a origem, é da década de 50. O livro foi publicado em 1869.
Na verdade, e uma fantasia que até me trouxe algum interesse, especialmente nas paginas finais pela crença de que todos à volta de Simplicio, o narrador, sob os efeitos mágicos da luneta do bem, fosse bons e angélicos. Mas, vamos lá.
Personagens da família:
Simplício
Severamente míope, é presenteado pelo armênio, por duas lunetas que o faziam enxargar depois de a fixar por mais de 3 minutos, a primeira para revelar a falsidade dos seres humanos, incluindo seu irmão, sua tia e prima. E a outra, depois dos protestos que ouviu com a do mal, recebeu a luneta do bem.
Américo
Irmão de Simplicio que cuidava da administração da fortuna de ambos, mas sempre cobrando uma porcentagem da parte do irmão pelo lucro obtido nas aplicações.
Tia Domingas
Religiosa que tinha alguma influência sobre Simplício.
Anica
Filha de Domingas por quem Simplício guardava alguma paixão.
ENREDO
Simplício era um míope de não enxergar "um palmo diante do nariz".
Como membro do juri, um dia um idoso do grupo, condoído pela miopia do amigo, indicou que fosse às oficianas de instrumentos óticos do Reis.
E ele vai.
Lá conhece o armênio, um mágico que lhe entrega uma luneta que o auxiliaria a melhorar a visão, mas desde que ele não a fixasse por mais de 3 minutos. Mais do que esses minutos e ele descobriria todas as maldades fantasiosas que a lente ia revelndo de tudo e de cada um.
Acima de 13 minutos, seria revelado o futuro, ponto não muito explorado no livro.
Assim, com a lente do mal fixada, seu irmão que o explorava na administração de sua fortuna, sempre em busca do ouro e da riqueza, não poderia continuar a administrando; sua prima Anica tinha um coração de pedra, fria e egoísta; a tia Domingas era má, invejosa e hipócrita.
E desse modo ia revelando a maldade de todos à sua volta. Todos os seus amigos, eram falsos, hipócritas a ponto de os evitar a todos. Essas revelações foram sendo descobertas, passando Simplício a ser execrado e evitado.
"Porque na sociedade a maior prova, o mais seguro sintoma de loucura, é dizer a verdade sem rebuço, mesmo quando verdade pode ser desgradável ou ofensiva."
Com todas essas revalações, execrado, ele quebrou a lente, o que foi muito festejado e tudo esquecido.
Depois de um tempo, constrangido, voltou à oficina de Reis na rua dos Hospícios e se reencontrou com o arménio, o mágico.
Este lhe deu, então, a luneta do bem.
"Que mal poderia vir do bem?"
Mais de 3 minutos de fixação e seria revelada a bondade de todos à sua volta. Seu irmão, sua prima e sua tia eram figuras puras, angélicas.
Tanto acreditou Simplicio nisso, que passou a ser explorado por todos, que conseguiam dele obter valores elevados para pagamento de dívidas, valiam-se de argumentos falsos para que ele abrisse a carteira. Era trapaceado no jogo pelo "amigo" Damião; se apaixonava por todos as mulheres que dele se aproximavam, contando com sua bondade e "contribuições", até uma certa Esmeralda de vida duvidosa. Todos riam dele. Ele foi alertado que todo aquele pessoal, os amigos eram falsos, trapaceiros, que se aproveitavam da boa fé dele.
Tantos foram as letras que assinou aos amigos "angelicais", que parte de sua fortuna foi consumida. O irmão Américo entrou em desespero de tantas letras que pagou. E já começava os entendimentos para o interditar o irmão perdulário.
Simplicio reconheceu sua imprudência, ingenuidade, irresponsabilidade e se decidiu pelo suicídio.
Mostrou-lhe a luneta os prêmios da morte, entre outros:
● Pela morte o escravo é livre
● A morte é Jordão que leva as culpas
● A morte é gloria
● A morte e luz
● Só a morte dá princípio à vida
Subiu o morro do Corcovado e se atiraria lá de cima para a morte.
Reconheceu que a luneta do mal e a luneta do bem o levaram ao mesmo perigo, à mesma calamidade; ela deixa cair.
E se atira para a morte, mas é salvo, seguro pelas orelhas pelo armênio.
"Erraste pelo exageração, porque exagerar é mentir".
As lunetas do bem e do mal deram um sentido de verdade revelando a natureza humana na sua imperfeição.
No final, salvo e com a lente do bom senso que lhe dera o armênio, e com Reis que lá chegaea, sai correndo, acompanhado do amigo para o almoço lá embaixo, tanta era a fom
Gostei.
NOTA DE DIVULGAÇÃO
A LUNETA MÁGICA de Joaquim Manuel de Macedo
Livro 156
É uma fantasia interessante. Simplício, míope severo conhece um mago armênio que lhe dá uma luneta mágica que, fixada em qualquer pessoa por mais de 3 minutos, revela o lado perverso dela. E, desse modo, ele vai fazendo inimigos e é execrado pelas pessoas em sua volta, até que destrói a luneta.
Volta ao armênio e ele lhe dá outra luneta, agora do bem, pela qual todas as pessoas são reveladas como angélicas e puras. Mas, diante da crença de Simplicio, todos abusam de sua própria bondade, de sua riqueza, ele confia em todos e vai pagando as contas e fazendo doações desordenadas aos que o cercam, para desespero do irmão que administrava sua fortuna.
Reconhece a sua irresponsabilidade e tenta suicídio, mas ao se atirar do Corcovado, é salvo pelo armênio que lhe diz: "Erraste pelo exageração, porque exagerar é mentir". E lhe dá a luneta do bom senso.
Gostei.
Acessar: https://resenhadoslivrosqueli.blogspot.com/2026/10/a-luneta-magica-de-joaquim-manuel-de.html

Nenhum comentário:
Postar um comentário