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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

ARIEL OU A VIDA DE SHELLEY de André Maurois

LIVRO 147



INTRODUÇÃO

Desses livros que não sei a origem, já havia lido sem muito interesse e, agora, desvendei quanto é bom, porque se refere a personagens reais, com seus méritos e fraquezas que viveram nas duas primeiras décadas do século XIX.

Predominam as aventuras e as tragédias vividas pelo poeta Percy Shelley e, claro, seu modo de pensar que até lhe trouxe problemas na juventude.

Ariel

Não identifiquei no livro o porquê de ARIEL mencionado na capa da obra. Pode ter passado por mim ao largo! Bom, ariel, tem um sentido religioso, e do hebraíco, significa "Leão de Deus". Força, coragem.

O pequeno iate de Shelley fora "batizado" pelo nome "Ariel".

► PERCY SHELLEY

De família rica, o pai Mr. Timothy, Percy era descrito como um jovem de rara beleza, olhos azuis, com traços femininos, matriculado no colégio aristocrático de Eaton, a partir dai tornou-se rebelde e se proclamou ateu, rejeitando condutas respeitadas pela sociedade.

Amado pelas irmãs, leitor voraz dos clássicos, especialmente Homero. Virgílio. Diderot, Voltaire...

Seu pai o matriculou, mais tarde, no colégio de Oxford que lhe encantou. Ele nascera para os livros e para o ócio intelectual: "... ler, escrever, passear à vontade era combinar todo o encanto da vida monástica com a liberdade de espírito do filósofo".

Lá, ele conheceu um amigo inseparável, Jefferson Hogg que admirava a froça do amigo, suas ideias e posturas místicas e filosóficas. Esse amigo teria influência sobre a vida de Shelley ao longo dos anos.

Shelley hostilizava a carne como alimento e adorava pão. Newton, um amigo cuja família era vegetariana, deu seus razões: 

"— O homem não se parece com nenhum carnívoro; não tem garras para reter uma presa; os seus dentes foram feitos para comer legumes e frutas. Adoece (Newton) quando toca nessa alimentação cárnea que é um veneno para ele".

O seu ateismo resultou a ele e ao amigo Hogg, a expulsão de Oxford. Foi ele morar num quartinho precário. O pai não lhe ajudava em nada pela expulsão do colégio e suas irmãs, enquanto puderam, remeteram pequenos valores que garantiam sua subsistência.

Mesmo com essa situação precária, conheceu Harriet, linda filha de um dono de café. Ela, pressionada pelo pai que pensava num casamento compensador par ela, se sentia muito infeliz e chama Shelley a quem amava. Ela com 16 anos, ele com 19, resolvem fugir e depois de casam. Num dado momento do casamento a irmã Elisa se une ao casal como uma protetora de Harriet.

Shelley precisou viajar, deixando a esposa aos cuidados de Hogg. Este se apaixona por ela e Harriet iinforma ao marido do assédios do amigo.

Shelley rompe com Hogg momentaneamente e se afatam dele.

Elisa pode ter ajudado ao fim do casamento. Com o nacimento da filha, Harriet enciumado com o encanto que o marido despertava nas mulheres, quis  voltar para Londres, ficando Shelley em Bracknell. Em Londres, comentários de que ela era vista em companhia do major Ryan.

As relações entre Harriet e Shelley se tornaram difíceis e ele se apaixonando por Mary Godwin mantinha-o afastado da esposa, até que ele recebeu a notícia de que ela se suicidara. Os filhos ficaram com o sogro por causa do concubinato com Mary. Seus filhos faleceram precocemente. 

Shelley conheceu o escritor e filósofo Willian Godwin, dele se aproximando e nesses contatos de amizade, nasceu um maior interesse pela filha Mary, inteligente que foi se apaixonado pelo poeta. 

Com Shelley, Mary, Clara a irmã dela, também deixam a casa dos pais às escondidas e pensaram em se alojar na Suiça. O livro não explica, talvez pela falta de dinheiro do casal num dado momento, eles chegam a Londres (?) 
Já vivendo com Mary Goldwin, casaram-se 15 dias depois da notícia da morte de sua  esposa Harriet. Após o casamento chamou-se Mary Shelley.

Mais tarde, Shelley já em condições financeiras melhores pela herança do pai, passam a viver na Itália. 
Curioso que, mesmo em condições difíceis de Shelley, eu pagou contas do sogro Godwin.


As escalas poéticas excêntricas de Shelley, podem ser compreendidas por este trecho do livro:

“Um dia o marinheiro (Trelawny, amigo) encontrou-o tão absorvido numa visão longínqua que não ousou interrompê-lo sem primeiro lhe despertar a atenção e fazendo estalar as agulhas secas dos pinheiros. (...)
Chamou Shelley, que virou a cabeça e disse com lentidão:
- Hello! Entre.
- Este então é o seu gabinete de trabalho?
- É, estar entre as árvores são os meus livros. Quando a gente compõe, é preciso que a atenção não fique dividida. Numa casa não há solidão: uma porta que se fecha, um rumor de passos, uma campainha ecoam no espírito, dissipam visões.
- Aqui há rumores do rio, dos pássaros.
- O rio desliza como o tempo, e os sons da natureza fazem bem à alma. Só o animal humano é discordante e me incomoda...Oh, como é difícil perceber por que razão estamos aqui neste mundo, perpétuos tormentos para nós mesmos e para os outros!”

Shelley desprezava convenções.

Percy Shelley morreu afogado aos 29 anos, vítima de um naufrágio. O iatezinho Ariel dele e do amigo Willian enfrentou um forte mau tempo, naufragando.

Achados os corpos, no estado em que se encotravam foram cremados na praia, numa cena dolorosa.

Mary e Jane (esposa de Willian) com a morte dos respectivos maridos viveram juntas por algum tempo. Mary não aceitou o pedido de casamento feito por Trelawny e Jane se casou com Hogg.

► LORD BYRON ("Dom Juan")

Poeta influente na Inglaterra, sedutor, considerado um devasso, tivera relações incestuosas com a irmâ - o livro não lhe dá muito "prestígio".

Clara, a irmã de Mary insistiu demais em manter relações com ele. Byron rejeitava, até que aceitou a relação.

Clara deu a luz a uma menina, que não pode ficar com ela e nem com ele, pela relação espúria. A criança fora internada num convento em condições precárias, resultando na sua morte. Shelley, indignado, porque apelara a Byron pedindo que olhasse pela menina, obtendo resposta desdenhosa, rompeu com ele.

Mas, mais tarde, a amizade seria retomada.

Byron assistiu a cremação do corpo dos amigos na praia.


ADENDOS (Não constam do livro de André Maurois)

MARY SHELLEY E ADA LOVELACE

► MARY SHELLEY

No livro ora resenhado, Mary Shelley é apresentada como mulher, esposa um pouco ciumenta e até protetora de seu marido.













Mary Shelley fora escritora talentosa.

A obra ultrapassou os séculos é “Frankenstein”, escrita por Mary quando tinha 19 anos, em 1817.

Frankenstein, na obra, é o sobrenome do seu criador, Victor, que ao criar a criatura monstruosa, se arrepende amargamente da experiência, é perseguido por ela que em lugar de o atacar como ele receava, ataca sua esposa e a enforca. Há momentos ternos mas Frankenstein é sempre tratado sem complacência, porque julgado sobretudo por sua aparência. No leito de morte de Victor, a criatura se emociona com a partida iminente do seu criador.

► ADA LOVELACE

(A filha de Lord Byron)

Ada Lovelace fora talentosa matemática e é lembrada como a primeira programadora de computador. Isso mesmo, e em meados do século 19!

Ada viveu pouco, apenas 37 anos incompletos (10.12.1815 - 27.11.1852). Mente avançada para o seu tempo, entendera a máquina de Charles Babbage, fizera anotações que seriam utilizadas um século depois de sua morte (início da década de 50) na construção dos primeiros computadores.

Envolvida no projeto Babbage, ela desenvolveu algoritmos que permitiriam à máquina computar valores de funções matemáticas.

[Algoritmo: passos para solucionar uma tarefa, um programa: como fazer...]

Charles Babbage (1791-1871) foi um cientista, matemático, engenheiro mecânico e inventor e reverenciado como aquele que projetou o primeiro computador, a máquina analítica, considerado como o “pai” da computação, embora seu invento não fosse concluído pela precariedade técnica no seu tempo. 

Essas invenções, porém, não eram conhecidas dos criadores dos atuais computadores.

No que se refere a Ada Lovelace em 1980, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos registrou linguagem de programação estruturada com o nome “Ada” em, sua homenagem. (1)


Referências:

(1) As biografias de todos os nomes mencionados nesta podem ser encontradas nos canais de busca.

O retrato de Mary Shelley é obra Richard Rothwell

NOTA DE DIVULGAÇÃO

ARIEL OU A VIDA DE SHELLEY de André Maurois

Livro 147

O livro trata da biografia do poeta Percy Shelley que se passa nas duas primeiras décadas do século XIX.
Shelley, um jovem de rara beleza, com traços femininos, rebeide, atéu, essa condição lhe valeu a expulsão do colégio de Oxford, viveu precariamente sem a ajuda do pai rico como punição pela expulsão. Casou-se com 19 anos com Harriet, relação que se deteriorou, ela se suicida. Mas, ele já flertava com Mary Godwin, com que se casou 15 dias depois da morte de Harriet. Ela passou a se chamar Mary Shelley. Ele foi amigo de Byron, poeta influente, o "don juan", tratado no livro como um devasso.
Shelley viveu a vida de liberdade, aqueles intelectuais que se inspiram na natureza e desprezo por convenções.
Gostei do livro embora não haja uma linha sequer das obras de Mary, como  “Frankenstein”, que ela escreveu quando tinha 19 anos.

Acessar: https://resenhadoslivrosqueli.blogspot.com/2026/01/ariel-ou-vida-de-shelley-de-andre.html


sábado, 3 de janeiro de 2026

ILUSÕES PERDIDAS (A Comédia Humana) de Honoré de Balzac

 LIVRO 146











(Adoto spoiler)

introdução

Esse volume, um dos exemplares de "A Comédia humana" composta de 89 romances e o principal dele é este das "Ilusões perdidas", contendo 629 páginas. Escrito entre 1835 a 1843 com minúcias impressionantes daí ser um jogo de paciência ler a obra, eu me pergunto como o Autor pôde escrever tanto, com penas precárias. Numa passagem do livro ele faz menção à pluma que seria utilizada para assinar um contrato. No século XIX, depois das penas predominantes de ganso, foram introduzidas penas de metal.

O livro é denso ao extremo e não dividido em capítulos. O Autor discorre sobre a produção de papel, cuja matéria prima eram trapos — o personagem David passa praticamente a obra toda pesquisando a produção de papel melhor e mais barato. O Autor descreve até mesmo o sistema judiciário francês de cobrança de dívidas.

Claro que no jogo dos personagens, ele descreve a arrogância e a futilidade da sociedade de Angouléme — cidade não próxima de París — e de Paris, a ambiguidade dos jornalistas que adquiriam influência social por seus artigos elogiosos ou críticos e dos empresários desse ramo na busca do lucro.

personagens

DAVID SÉCHARD: tipógrafo por injunção do pai, o velho Jérôme-Nicolas Séchard, que lhe arrendou uma tipografia, mas cobrava alugueis do estabelecimento. Esse velho paí é apresentado como sovina ao extremo que começou a enriquecer como vinhateiro. Em nada ajudava o filho e até o desprezava. O velho sequer deu a parte dos direitos pelo falecimento da mãe ao filho. David não reagiu porque teria que instaurar um processo judicial penoso cujo desfecho poderia durar muito

David era boníssimo, tinha competidores fortes no ramo, era traido por eles, especialmente os irmãos Cointet. 

Num dado momento iniciou pesquisas para produzir um novo tipo de papel, mas eficiente e mais barato, alternativa aos trapos como matéria prima.

Ele tinha dois colaboradores fieis, Marion e Kolb.

David e Lucien eram amigos íntimos, quase irmãos. Lucien nas aventuras em Paris, arruinado, assinou duas letras falsificando a assinatura de David, com prazo de pagamento no vencimento. Cobrado o título David não tinha condições de pagar e, depois de se esconder, é preso. Ele saiu de onde se escondia por um bilhete falso assinado por Lucien,

David, antes desses eventos se casou com Eve, irmã de Lucien que tinha forte influência sobre o irmão e sobre o marido. Nos momenos difícieis da vida conjugal pelas dividas, fora ela, mesmo na sua dor, quem mantivera os negócios com um minimo de produtividade. 

EVE CHARDON, filha do boticário Chardon e de Charlotte Chardon, mas essa Charlotte por herança familiar, tinha um nome ilustre, Rubempré. Eve, irmã de Lucien, jovem linda se casara com David que passam a ter vida de trabalho e felicidade mas tudo se complica com o dívida feita por Lucien, falsificando a assinatura de David e, também, a concorrência desleal. Ela coordenava os trabalhos da tipografia, junto com Marion e Kolb.

LUCIEN CHARDON

Filho do boticário, pobre, irmão de Eve tinha traços femininos, de uma beleza incomum, era talentoso na poesia, no romance e depois no jornalismo. Por esse talento era admirado pelo cunhado David e amado pela irmã e a mãe, a senhora Chardon.

Por esse talento, de modo sutil foi se aproximando da sra. de Bargeton, a Louise a dama mais influente de Angouléme, passou  fequentar a mansão dela para apresentar seus poemas.

Ela era casada, mas nos tempos atuais, seu marido teria má fama... e a diferença de idade entre o marido e a esposa era de 22 anos.

Ela demonstrava amar o jovem Lucien, mas havia também a diferença de idade pelo que ela mantinha reservas.

Esse amor correspondido, ensejou que fosse flagrado Lucien com a cabeça apoiada nos joelhos da mulher. Um certo Stanislas espionava e a cena fora ampliada a níveis comprometedores principalmente a Louise. 

Toda a sociedade de Angouléme ouviu várias versões. Stanilas constrnagido não quis se retratar resultando num duelo entre ele e o marido Bargeton. Stanilas leva um tiro no pescoço que o torna "torto".

Com isso, Louise resolve se mudar para Paris, se aproximando da sra. d'Espard parente distante, mas convida Lucien para acompanhá-la comprometendo-se a o apresentar à sociedade parisiense, abrindo espaço para sua ascensão social, mas usando o nome "nobre" da mãe, Rubempré.

Mas, em Paris, o rival de Lucien, barão Châtelet revela que o nome dele era Chardon e não Rubempré, nome da mãe, isto é, sem nobreza, proletário.

Por injunção da sra. d'Espard ele acaba sendo abandonado pela própria sra. de Bargeton e fica praticamenrte à mingua em Paris. Faz amizade com um escritor num restaurante popular que o apresenta a jornalistas e escritores e, por causa do seu talento, é aceito nessa comunidade e começa a escrever para jornais.

Torna-se famoso. conhece a linda atriz Coralie, tornam-se amantes, faz criticas a obras de seus amigos, ironiza a sra. de Bargeton e a sra. d'Espard, assume posição política.

Assim, arruina-se, morre sua amante e, em desespero Lucien volta a pé de Paris, arrasado mas para sua surpresa, é aclamado como heroi em Angouléme pelos seus êxitos em Paris.

Mas, essas homenagens tinham em conta, engendradas por um solicitador, Petit-Claud descobrir o local onde se escondia o cunhado para ser preso por dívida (dos títulos falsos de Lucien) e obter o segredo do novo tipo papel que David pesquisava. Isso tudo era tramado pelos irmãos Cointet, donos prósperos de tipografia.

Com a prisão de David, Lucien em desespero prepara-se para se suicidar, mas é amparado por um padre meio sinistro que faz do jovem uma escpécie de secretário que se "vendeu" em troca de valores para saldar a dívida  de David.

O que acontece com Lucien, informa o Autor que tal se revela em outra obra!

SRA. DE BARGETON

Na sua mudança para Paris após a repercussão da intimidade com Lucien, é acolhida pela sra. d'Espard da alta sociedade, prima distante.

Por causa da sra. d'Espard e do rival de Lucien, Châtelet, que revelou seu nome proletário (Chardon), o poeta passa a ser desprezado pela sociedade.

A sr. de Bargeton enviúva e se casa com o barão Châtelet.

Com o tempo ele assume alto cargo político e o casal volta para Angouléme — ele como governador — e ela com o mesmo brilho social passa a ser chamade de governadora. Ela era agora a Sra. Du Châtelet, mas sempre a Louisie que amava Lucien.

O reatamento com Lucien não se firmou porque o amante se afastou da cidade pensando em suicídio — que não se efetivou.


Desfecho

Depois de tanto sofrimento, pobreza, dívidas de Lucien que falsificou assinatura de David em titulos de crédito exigíveis no vencimento, e tentativas de inventar e ser inventor, herdou a fortuna do paí que falecera em 1829.

 David e Eve passaram a usufruir da riqueza e da tranqulidade. O casal foi genitor de dois meninos e uma menina.

Todos os outros personagens acabam bem:

Os irmãos Cointet que conspiraram contra David e sua pesquisa de papel levando-o à prisão, a ele se associaram, mudaram o modo de conviver com o jovem Séchard e acabam enriquecendo. 

O solicitador Petit-Claud com o casamento arranjado sobe na profissão, reconhece o jogo duplo que fez se associando aos irmãos Cointet, em prejuízo a David e Eve e sua pesquisa, mas se reconcilia com eles.

Trechos

"— Mas o que se pode dizer contra esse livro? Ele é bom exclamou Lucien.

— Ora, bolas, meu caro, aprenda o seu oficio — disse Lousteau, rindo. Mesmo que o livro seja uma obra-prima, com uma penada, você pode transformá-lo numa tremenda bobagem, numa obra perigosa e nociva.

— Mas como? 

— Translormando as belezas em defeitos.

— Eu sou incapaz dessa proeza.

— Meu caro, jornalista é acrobata; você precisa se acostumar aos incômodos da posição. Olhe só como eu sou bonzinho?"

 ▬ / ▬ / ▬

"— Entendo que não sou livre para escreveer? 

— Ei! Que importância tem isso, se você está ganhando uns cobres — exclamou Lousteau".

 ▬ / ▬ / 

"Lucien mantinha-se em silêncio, não tinha vontade de arrancar mais nada daquele padre.

— Uns descendem de Abel, outros de Cain — disse o cônego, terminando —  eu sou mestiço, Caim para os inimigos, Abel para os amigos. E ai de quem desperta o Caim!..."



NOTA DE DIVULGAÇÃO

Livro 146:

ILUSÕES PERDIDAS (A Comédia Humana) de Honoré de Balzac

Trata-se de livro extenso com 629 páginas, não dividido em capítulos, a minha edição com fonte miúda. que exigiu muita paciência para chegar ao fim. Mas, essa obra com outras do Autor é considerada "monumental".
É a história de David e Eve, e o cunhado Lucien, com traços femininos, "lindo" que recebe a atenção da principal matrona da cidade, sra. de Bargeton, pelos seus dotes de poeta. 
Eles se amam, mas há restrições pela idade. 
Por causa de uma cena nada comprometedora, revelada na cidade, ela muda para Paris e convida Lucien para a acompanhar. 
Ele era pobre e por causa disso acaba sendo desprezado. E em Paris à míngua, ele supera as dificuldades, tornando-se jornlista.
Claro que no jogo dos personagens, o Autor descreve a arrogância e a futilidade da sociedade, a ambiguidade dos jornalistas que adquiriam influência social por seus artigos elogiosos ou críticos tantas vezes sem escrúpulos.
Acessar: 
https://resenhadoslivrosqueli.blogspot.com/2026/01/ilusoes-perdidas-comedia-humana-de.html







sexta-feira, 10 de outubro de 2025

A ÚLTIMA GRANDE LIÇÃO de Mitch Albom

 LIVRO 145

















Diz a capa do livro que foram vendidos  mais de 10 milhões de exemplares e tem um subtituto: " O Sentido da Vida". Inspirou enredo de filme.

Os personagens são reais, o Autor — cronista esportivo em Detroit — e seu professor de sociologia Morris S. Schwartz na Universidade Brandeis situada no estado americano de Massachusetts.

O ex-aluno se lembrou do professor, havia cerca de 30 anos, ao assistir um programa de televisão, apresentado por Ted Koppel em rede nacional de TV que entrevistara Morrie depois de conhecido um artigo de jornal no qual foram publicados aforismos (sentenças curtas que podem conrer ensinamentos e reflexões) do professor.

Morrie fora acometido da terrível doença ELA - Esclerose Lateral Amiotrófica que o definhava com sua evolução impreterível do mal. Comprimia seu corpo e o imobilizava.

O Autor que considerava Morrie seu melhor professor, passou a visitá-lo e o fez por 14 terças-feiras acompanhando toda a perda do vigor do corpo do seu mestre, que se atrofiando dai sua incapacidade de se mover e aquilo que o doente não desejava que acontecesse: não poder se limpar das suas defecações. 

Sempre em cadeira de rodas, a cada semana, os efeitos perversos da doença que o consumia, mas o professor não se entregava, pelo menos na presença do ex-aluno.

A cada semana o professor e o ex-aluno discorriam sobre um tema e parece residir aí, o "sentido da vida", compreendendo a amizade, a solidariedade, a compreensão entre o visitante e o doente e todas as reflexões da vida diante do fim iminente. São sentimentos fundamentais, porém. Porque não há na obra uma visão transcendente da morte a presença de Deus na vida de todos, esse sentido da vida que todo mundo questiona e não há quem saiba algo. Não houve especulações, pois, sobre o "depois" da morte, mas Deus chegou a ser lembrado.

Ambos, aluno e professor, nos seus diálogos não escondiam a angústia da morte próxima do professor. Morrie ia perdendo a capacidade de exercer qualquer atividade física, de fala, de respirar...

Os temas iam sendo desenvolvidos a cada terça-feira: a descoberta do amor, em dar e receber; a comiseração pelos efeitos da doença, as perdas havidas, o choro - mas superando essas perdas; onde situar o crescimento espiritual com as coisas que o mundo oferece como naturais; o bem que a família faz e os filhos; o choro nas emoções costuma ser evitado, porque não fica bem; o acolhimento da velhice porque com ela se aprende mais; dinheiro não compra ternura e nem sentimentos; as pessoas são apressadas, correm atrás de um novo carro, até se darem conta que isso tudo é um vazio, mas continuam correndo; Morrie e Charlotte eram casados há 44 anos - o casamento é um coisa importante; se brancos e negros se olhassem como iguais talvez surgisse o desejo de união; perdoar a si mesmo e aos outros antes de morrer; Morrie queria ser cremado - o corpo estava se tornando inútil; nos seus últimos dias, diz que ama o Autor, seu ex-aluno. Morrie faleceu em 1995. 

O Autor é rigoroso na descrição da evolução da doença e as limitações físicas que o mal impõe (ELA)

O  livro é fácil de ler,  125 páginas. Esta resenha poderia ser melhor mas a editora fez severa advertência sobre seus direitos de publicação negando transcrições.

NOTA DE DIVULGAÇÃO

Livro 145:
"A ÚLTIMA GRANDE LIÇÃO" DE MITCH ALBOM

Um livro não denso que a capa revela ter vendido 10 milhões de exemplares e que inspirou um enredo de filme sobre o tema que trata, bastante delicado: a ELA - Esclerose Lateral Amiotrófica. O Autor em 14 semanas em que visitou seu professor Morris S. Schwartz, acometido da grave doença, foi descrevendo a sua evolução. Seu corpo era comprimido, a sua incapacidade de se mover, de falar, de respirar. 

A capa fala também do "sentido da vida" mas nesses encontros não há enfrentamento da transcendência sobre o depois da morte, Deus. Mas, o sentimento de amor entre eles, a solidariedade, a compreensão dão, sim, sentido à vida. O Autor até sua morte, esteve com seu professor.

Mas, é importante a evolução da ELA explanada pelo Autor,

Acessar: https://resenhadoslivrosqueli.blogspot.com/2025/10/a-ultima-grande-licao-de-mitch-albom.html




ELA foi a doença que atingiu o cientista Stephen Hawking (*)











terça-feira, 23 de setembro de 2025

AINDA ESTOU AQUI de Marcelo Rubens Paiva

 LIVRO 144




O que mais dizer deste livro que serviu de enredo para o filme do mesmo nome, que levou o Oscar de melhor filme internacional. O filme foi dirigido por Walter Salles Júnior, o mesmo diretor de "Central do Brasil" filme também bastante premiado.

O livro é autobiográfico em relação ao Autor, biográfico em relação ao pai, deputado federal Rubens Paiva, trucidado pela tortura nos órgãos de repressão (DOI — Destacamento de Operações de Informação no RJ) no auge do Ai-5, de 1968 e de sua mãe Eunice Paiva que se retraiu com o desaparecimento do marido, reagindo,  formando-se advogada e nessas suas atividades, teve forte influência nas ações pró direitos humanos e dos direitos indígenas com participação em encontros internacionais.

O livro também é um documento ao descrever os episódios políticos relevantes e os Atos Institucionais que iam endurecendo a ditatura e, também, peças dos processos que denunciaram os torturadores de Rubens Paiva.

Na autobiografia, foi o Autor bastante sincero. No tocante à sua mãe Eunice, nos seus tempos de infância e juventude, ressentiu-se da falta de afeto dela, situação que não melhorou com o passar dos anos, até mesmo nos primeiros tempos da doença (mal) de Alzheimer com a perda gradativa da memória mas demonstrando carinho pelo neto, filho do Autor.

No que se refere à doença de Alzheimer é dada relevância à evolução da doença valendo-se o Autor dos ensinamentos do médico Drauzio Varella, cada estágio irreversível que vai agravando o mal.

Mesmo na evolução da doença o Autor revela em episódios, que a mãe Eunice muitas vezes revelou que preferia ficar sozinha para desgosto dele.

Ele revela que na crise do desaparecimento do marido, que sua mãe nunca se mostrou angustiada ou deprimida mas altiva e sempre buscando a verdade sobre a prisão dele, que os órgãos oficiais garantiam estar ele vivo, fugitivo e paradeiro desconhecido.

O livro é de 2015 e se encerra com o estágio avançado da doença da mãe. Eunice faleceria três anos depois, em dezembro de 2018.

O deputado Rubens Paiva foi cassado em 1964 e a partir daí passou a exercer outras atividades e tinha participação, que se diga, light, no âmbito político. 

Ele foi preso em 1971, depois que agentes da repressão descobriram com Marilena Corona Franco, que voltava do Chile tendo contato com os lá exilados, uma correspondência endereçada a Rubens que, pelo telefone indicado era o do deputado cassado. 

Aquele homem risonho, a partir dai foi preso e torturado de modo brutal até sua morte, sempre negada pelos órgãos oficiais. 

Teria se dado o sepultamento e exumação do corpo, sendo, então, jogado no mar, segundo informações atuais, posteriores ao livro.

Possivelmente, fez parte da tortura a prisão de Eunice e sua filha Eliana levadas para o mesmo DOI:

"Você sabe, mamãe, porque foram levadas ao DOI? Ele não falava nada. Repetia o nome (... eu sou Rubens Paiva). Foi torturado no dia 20. Nada. Retomaram no dia 21. Com a filha e a mulher encapuzadas, sentadas num banquinho. Será que ele viu vocês? Como ele reagiria? O que ele faria, para impedir que encostassem em vocês? Qual seria a saída?"

A filha foi liberada no dia seguinte um dia depois. Eunice ficou detida por 12 dias.

A Lei dos Desaparecidos Políticos, de dezembro de 1995 sancionada por FHC ensejou que fosse emitido o atestado de óbito de Rubens Paiva o que permitiu todos os atos civis a partir desse documentos, incluindo ação indenizatória contra a União. (*)

Relata o Autor que, recebido o atestado de óbito, Eunice chorou copiosamente, sem lágrimas, como nunca havia chorado.

Fora ela a heroína que a tudo suportou e a tudo superou.

Diz o Autor que para muitos, seu pai foi um herói que não fugiu da luta mas todo o sofrimento poderia ter sido evitado se tivesse seguido com a família para o exílio...


Foi um tempo tenebroso, triste, difícil de acreditar que os órgãos de repressão chegassem a esse nível de violência em seus porões cujo odor ainda se faz presente. Quem autorizou esses excessos?

(*) Notícia da imprensa d3 27.09.2025 infoma que novo atestado de óbito está sendo providenciado, dando a verdadeira "causa mortis": "Morte violenta causada pelo Estado no contexto do regime ditatorial instaurado em 1964".


NOTA DE DIVULGAÇÃO

AINDA ESTOU AQUI de Marcelo Rubens Paiva

O que mais dizer sobre esse livro que inspirou o filme premiado?

O livro se apresenta com a autobiografia do Autor, a biografia do deputado cassado Rubens Paiva, violentamente torturado em 1971 até a morte no DOI do RJ, negada, então, pelos órgãos oficiais e de sua mãe que nunca se deixou abater. Formou-se em direito, tornando-se influente na luta pelos direitos humanos e dos indígenas.

Ela foi afetada pela doença de Alzheimer e foi perdendo de modo irreversível, sua memória entre outras decorrências. 

Em 1996 obteve o atestado de óbito do marido, se emocionou muito e a partir daí pode tomar medidas de natureza civil, inclusive ação indenizatória contra a União.

Foi um tempo tenebroso, difícil de acreditar. A tortura chegar a esse nível de violência nos porões fétidos da repressão.

Acessar: 

https://resenhadoslivrosqueli.blogspot.com/2025/09/ainda-estou-aqui-de-marcelo-rubens-paiva.html




segunda-feira, 8 de setembro de 2025

SINCRONICIDADE de Carl Gustav Jung

UM PRINCÍIO DE CONEXÕES ACASUAIS 

LIVRO 143













EXPLICAÇÃO INDISPENSÁVEL

Até dias atrás eu nunca ouvira sequer falar em sincronicidade se bem que, no dia a dia, esse fenômeno se manifesta imperceptível.

Quem se referiu à sincronicidade foi meu filho Otávio. Deu-se o seguinte:

Quando editava meu livro "Biografia de uma vida comum", embora muito de ficção, nem tudo era ficção. E foi nesse ponto que minha angústia exaltava porque teria que fazer revelações muito caras para mim. Mas, pensava: se se propõe a ser escritor ou você escreve ou não escreve.

Nessa angústias do escreve ou não escreve, entre outros, aconteceu um fenômeno inexplicável: um armário de roupas, de madrugada se abriu "espontaneamente", coisa impossível de acontecer. Lá estavam as roupas de meus tempos, até há pouco, de uso da "advocacia".

Depois desse evento inexplicável, "que se abra o armário das memórias", resolvi publicar o livro que poderia estar melhor editado mas, antes, consultei o I Ching - O Livro das Mutações atirando as três moedas dando-se "aconselhamentos" favoráveis ao lançamento do livro.

Jung bom que se diga, prefaciou a edição alemã do I Ching e na obra "Sincronicidade" também se refere ao "Livro das mutações".

E mais:

Eu me dou bem com a solidão mas constatava que muitos de minha geração já tinham "mudado de lado". E pontificava a perda de amigos de longa data, nesse processo inexorável da existência.

E, dizia, estou na solidão. 

Não demorou muito é um antigo amigo da Chrysler de Santo André, que mora no Mato Grosso do Sul, precisando viajar ao ABC, me telefonou dizendo que me fará uma visita.

Outra situação acasual: dois veículos, o segundo acompanhando o primeiro porque o motorista não conhecia o trajeto. Há uma dispersão num farol. O segundo segue um caminho alternativo que não era o indicado, volta e encontra o primeiro veiculo parado numa rua secundária, com problemas no câmbio. Com o reencontro, o motorista do primeiro veículo mais tranquilo aciona o carro. Experimenta. Em poucos metros de movimento do carro o defeito não afetou o resto da viagem.

C. G. Jung

Nascido na Suíça em 26 de julho de 1875 e falecido no seu país em 6 de junho de 1961.

Psiquiatra e psicoterapeuta, instituidor da psicologia analítica, influente nas áreas de psiquiatria, psicologia, filosofia... autor de uma vasta obra de sua especialidade, influenciou e foi influenciado por Freud.


Na contracapa do pequeno volume, se lê que,

"Ao escrever este trabalho, Jung estava cumprindo uma promessa que por muitos anos não teve coragem de realizar."

E eu na minha ignorância absoluta, nunca havia pensado nessa circunstância de eventos que nada tem um com outro mas que tem, ao que o autor qualifica de eventos acasuais.

Entre os exemplos que ele menciona na sua obra, aquele que ele mais cita é este: 

A jovem paciente pretendia sempre saber o melhor, dominar e sua formação lhe permitia assim agir.

Não deram certo as tentativas que ela agisse diferente, com um pensamento mais humano. Então, Jung esperava que algum evento novo ocorresse que permitisse que ela mudasse esse modo de ser.

Numa noite ela sonhou que havia recebido de presente um escaravelho de ouro (uma joia). Na manhã seguinte, na sessão com a jovem, o Autor ouviu tênues batidas no vidro de sua janela parecendo querer adentrar ao ambiente interno. Jung abriu a janela e conseguiu pegar o "animalzinho" no ar, um besouro-rosa comum, "cuja cor verde dourada torna-o muito semelhante ao um escaravelho de ouro."

E Jung diz à paciente: 

"Está aqui o seu escaravelho". E explica: "Este acontecimento abriu a brecha desejada no seu racionalismo, e com isso rompeu-se o gelo de sua resistência intelectual. O tratamento pôde ser conduzido com êxito",

São coincidências não casuais mas acasuais, isto é, eventos que se ligam a um outro sem que se identifique uma conexão dando-se, então, a sincronicidade.

Jung tenta facilitar a compreensão, como neste trecho, entre outros:

"Convém chamar a atenção para um possível mal-entendido que pode ser ocasionado pelo termo "sincronicidade". Escolhi este termo, porque  aparição simultânea de dois acontecimentos, ligados pela significação, mas sem ligação causal, me pareceu um critério decisivo. Emprego, pois, aqui, o conceito geral de sincronicidade, no sentido especial de coincidência, no tempo, de dois ou vários eventos, sem relação causal mas com o mesmo conteúdo significativo..."

"Por esse motivo, em princípio, os fenômenos da sincronicidade não podem ser associados a qualquer conceito de causalidade. A conexão entre fatores significativamente  coincidentes deve ser necessariamente concebida como acausal".

"Foram a psicologia moderna e a parapsicologia que provaram que a causalidade não explica uma determinada classe de acontecimentos e que, neste caso, é preciso levar em conta um fator formal. isto é, a sincronicidade, como princípio de explicação".


I Ching

O "I Ching, o Livro das Mutações" teve origem, segundo o prefácio à edição brasileira no período anterior à dinastia Chou (1150-249 a.C) atribuído a quatro autores, entre eles, Confúcio.

Jung fez o prefácio dolivro e entre suas observações, diz que 

"A mente chinesa, como a vejo trabalhando no I Ching, parece preocupar-se exclusivamente com o aspecto casual dos acontecimentos. O que chamamos coincidência parece ser o interesse primordial desta mente peculiar e o que cultuamos como causalidade passa quase despercebido".










E diz Jung, na sua obra "Sincronicidade" sobre o I Ching:

"O I Ging (variável de I Ching), este fundamento — poderíamos dizer experimental — da Filosofia chinesa clássica, é um método usado desde tempos imemoriais para apreender uma situação de globalidade e assim colocar o problema dos detalhes no grande quadro das inter-relações do Yang e do Yin". (*)

E mais em nota de rodapé de um discurso que proferiu:

"A ciência do I Ching se baseia, não no princípio da causalidade, mas por um princípio até agora não nomeado — porque não surgiu entre nós — que, a título de ensaio, designei como princípio sincronístico". 

"O método se baseia, como todas as técnicas divinatórias ou intuitivas, no principio da conexão sincronística ou acausal".

Eu consultei muito o I Ching — agora menos —, com o uso de três moedas. O lado "cara" ou "coroa" uma vale 2 e a outra 3. E jogando sobre a mesa por seis vezes, monta-se o um exagrama no qual dá-se a resposta à indagação feita. De regra, em alguma ou algumas linhas há referências à consulta feita. E para consultas descabidas o hexagrama 4 que revela à inconveniência da abordagem.

Muitas vezes  I Ching deu-me alguma indicação. 

Outras análises de Jung:

ESP (Extra Sensory Perception) - Percepção Extrassensorial: referências a experiências de Rhine que fez experiências com cartas pelas quais o colaborador responderia o desenho de cada uma delas. Se ultrapassasse um número de acertos, seria PES. Mas, essa experiência não tem boa receptividade entre cientistas. 

Astrologia: diz Jung que há ausência de critério seguro "para determinar os traços de caráter, nos mostra que a coincidência entre a estrutura horoscópica e o caráter postulado pela Astrologia, não pode ser aplicada à finalidade aqui em discussão".

Mas, ele aceita um fato absolutamente indubitável para se valer da Astrologia, a união matrimonial entre duas pessoas. 

Mas, confesso que não me dei bem em entender essa conexão astrológica-matrimonial.

E, então

"Por mais incompreensível que isto pareça nós nos vemos, afinal, forçados a admitir que há no inconsciente, uma espécie de conhecimento ou "presença" a priori de acontecimentos sem qualquer base casual. Em qualquer caso, nosso conceito de causalidade e incapaz de explicar os fatos".

E eu concluo:

Esses eventos que se qualificam como sincronicidade estão no nosso dia a dia e, de regra, passam despercebidos.

Foi bom para mim ser alertado disso? Não sei, mas é possível que daqui por diante se prestar atenção aos eventos foi querer definir o que é causalidade e acausalidade.


(*) Yin e Yang: Visão geral criada por IA 


Yin é o princípio feminino, passivo, escuro e da terra, enquanto o Yang é o masculino, ativo, claro e do céu. Essas energias, representadas na imagem, não são antagonistas, mas interdependentes e essenciais para o equilíbrio e harmonia de todas as coisas, inclusive o universo, pelo que uma não existe sem o outro. 





NOTA  DE DIVULGAÇÃO

Livro 143

SINCRONICIDADE de Carl Gustav Jung

Eu nunca ouvira falar de Sincronicidade que o psiquiatra Carl C. Jung explanaria nesse pequeno livro.

Sincronicidade, segundo Jung, são eventos relacionados a uma situação qualquer, mas não casual, pelo que ele chama de acasual.

Eu mesmo dei exemplos de eventos acasuais, estranhos, alguns que parecem coincidência mas que não se explicam como mera coincidência pelo que seriam situações de sincronicidade.

"Foram a psicologia moderna e a parapsicologia que provaram que a causalidade não explica uma determinada classe de acontecimentos e que, neste caso, é preciso levar em conta um fator formal. isto é, a sincronicidade, como princípio de explicação".

Jung se refere às consultas ao I Ching - O livro das mutações. e os resultados que oferece aos consulentes. Na maioria das vezes significativos. Desde há muito eu "consulto" o I Ching,

Acessar: https://resenhadoslivrosqueli.blogspot.com/2025/09/sincronicidade-de-carl-gustav-jung.html


terça-feira, 26 de agosto de 2025

O IDIOTA de Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski

 LIVRO 142












Neste texto vou usar os apelidos comuns de cada personagem e não o nome russo completo. Os personagens principais também relaciono expondo o que cada um representou n história.

(Adotei spoiler)

O príncipe Michkin vinha da Suíça depois de quatro anos de tratamento psicológico na busca de cura de suas deficiências mentais, de seus ataques epiléticos. Por tudo isso, antes do tratamento, ele era o "idiota" e ele próprio assim se qualificou.

Mas, com o tratamento havia melhorado e se revelaria um amigo de todos, sem maldade, cheio de reverências aos que dele precisavam, incapaz de ofender, sendo muito respeitado. 

Então, voltou para a Rússia e, apenas com um pacote e uma ideia que não foram revelados (qual o conteúdo do pacote?), ele procurou a casa do general Epantchín cuja esposa, a "generala" Lizavéta, seria sua parente distante.

O Autor não aprofunda, na obra, esse parentesco entre o príncipe e a "generala".

Num primeiro momento, a  família do general recebe com restrições o príncipe e acabam o amando. A família Epantchín era composta de três filhas. a mãe Lizavéta Prokófievna, as filhas Aleksandra, a mais velha, Adelaída e Agláia. Esta, a mais jovem teria papel forte na história.

Ele conquistou a família ao relatar casos de condenados à beira da execução (o Autor passou por essa experiência na vida real). Num deles, de um condenado à execução que passa a viver cada minuto antes do ato extremo que levaria à sua morte; ao se livrar da execução, tudo da vida dele volta à "perda de tempo".

À medida que a história se desenvolve e os personagens vão sendo desvendados o príncipe Michkin vai sendo envolvido na vida mundana, nas angústias desses personagens, nos mitos, mas sempre agindo de modo sereno, demonstrando compaixão, fazendo comentários apropriados e sensatos sendo admirado por isso.

Michkin herdou uma fortuna de uma tia tornando-se milionário, mas mantendo suas relações normais, a mesma de sua chegada na Rússia, em Petersburgo.

Há aqui uma "variável" na obra que preencheu páginas e páginas. Sua herança foi contestada por Burdóvskii e seus aliados, porque seria ele também herdeiro não de uma tia, mas do seu pai Pavlíchitchev (!?). Mas, essa filiação entre esses personagens não se confirmou e nada afetou a herança de Michkin...

Míchkin se relacionou bem com o personagem Evguénii Pávlovitch ex-militar, rico, que se interessara por Agláia  (?). Mas, além da amizade com Míchkin esse personagem na história, não se destaca.


Mas, tendo aqueles problemas mentais que vez por outra se manifestavam, teria ele suficiente maturidade e firmeza para enfrentar os desafios e suas próprias angústias?Os seus amores relutantes, suas decepções o poupariam de um desfecho trágico?

Personagens

Nastássias Filipovnas: ela e uma irmã (que faleceu), abandonadas pelo pai viúvo que enlouqueceu foi tutelada pelo milionário Tótskii (que tentou conquistar Aleksandra, a filha mais velha do família Epantchín, mas o livro não leva avante esse quase romance). Nastássias que era cuidada por uma mulher sem filhos, se revelou personagem desequilibrada, a ponto de destratar seu próprio tutor quando soube de suas intenções de se casar.

Ela terá na obra, com esse seu temperamento irascível, papel de destaque. Ela teria, na sua inconstância, vivido um tempo com Míchkin.

Porfion Rogójin: Ele conheceu Michkin no mesmo trem no qual viajavam. Ele vinha para obter o que lhe cabia de uma herança vultosa. Ele amava Nastássias e a obra vai revelando uma certa rivalidade entre ele e o príncipe. Mas, depois de um relacionamento áspero ambos se irmanam numa amizade, a despeito de Nastássias.

Família do general Ívolguin: Gavril (Gania) que era apaixonado por Agláia e também por Nastássias, mas nada resulta desses seus amores, salvo atos intempestivos desta última em relação às suas pretensões num episódio traumático. A esposa e mãe Nina Aleksándrovna, a filha Várvara (que se casou com Putsin) e o filho Kólia um jovem muito prestativo e humano.

O general Ívolguin era dado à bebida, considerado mentiroso, mitômano, desprezado pela família mas não por Kólia. Em longas páginas relata ao príncipe seus tempos de jovem quando era pajem de Napoleão quando da invasão à Rússia em 1812 a ponto de influenciar decisões do francês, naqueles dias de clima difícil de seu país. Nessas suas revelações confessa que amava Napoleão.

Liébediev: proprietário do quarto onde se hospedou Michkin e onde ocorreram episódios diversos. Ele tinha uma jovem filha, Vera, que gostava do príncipe e o acolhia de modo carinhoso assistindo-o em momentos diversos. O pai Liébediev tinha profundo respeito pelo príncipe, dado a bebida com o amigo general Ívolguin, e foi autor de páginas e páginas relatando o sumiço de uma carteira com 400 rublos que pensava tivesse sido apropriada pelo amigo de bebidas. E o príncipe ouvindo toda aquela história de uma carteira que por fima fora achada embaixo duma cadeira.

Eu lembro disto para mostrar quantas páginas foram preenchidas com esse episódio. Talvez Dostoiévski quisesse demonstrar as vacilações e fraquezas humanas ao desconfiar sem qualquer juízo.

Ippólit: personagem coadjuvante entrou na história para, em páginas e páginas expor seu sofrimento com a tuberculose, suas angústias da vida, das pessoas, que por fim tenta o suicídio, mas a arma falhou. Morreria mais tarde, "decerto mais cedo do que calculava".

ENREDO

O príncipe Míchkin se apaixonou por Agláia e também por Nastássias. Há um confronto entre ambas.

Mas, na recepção na qual poderia ser anunciado o noivado do príncipe Michkin com Agláia, ele fala demais contrariando recomendações da suposta noiva para se manter reservado, critica o catolicismo, e derruba vaso chinês raro que a moça observara tivesse cuidado.

Tudo se encerra com um ataque epilético, ouvindo-se que Míchkin era um "homem doente".

Dá-se por interesse de Nastássias o casamento com Míchkin. No momento de a noiva chegar na igreja, ela se desespera, nada surpreendente mais uma atitude desequilibrada, corre até Regójin que a leva embora.

Passado o trauma, o príncipe sai a procura de Nastássias e com muito silêncio, Regójin em noite muito escura, o leva até o seu apartamento e num quarto e lhe mostra uma cama onde dormia alguém com o corpo totalmente coberto.

Míchkin se aproxima e mesmo na escuridão ouviu o zunido de uma mosca que "voou sobre o leito e foi pousar no travesseiro" (?).

Ele percebera o que se passara, o ato extremo de Rogójin contra Nastássias, assassinada.

Suportaria tudo isso Míchkin com seus traços de "idiota"? Suas deficiências voltariam com esse grau de emoções? Voltaram e de modo irrecuperável.

Concluindo...

O livro é árduo de ler. Dostoiévski usa nomes "de família" dos personagens e os apelidos tudo em russo, dificultando se acostumar com quem é quem.

Páginas é páginas de episódios que não afetam a história embora deva reconhecer quis ele, talvez, mostrar a personalidade russa duma época, suas contradições e fraquezas. Trata-se de livro com 670 páginas em fonte pequena (a minha edição) o que deu para cansar.

O livro é recomendado para quem gosta realmente de ler.


Livros do Autor resenhados:

RECORDAÇÃO DA CASA DOS MORTOS

O JOGADOR

CRIME E CASTIGO


NOTA DE DIVULGAÇÃO

O IDIOTA de Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski

O príncipe Míchkin tinha distúrbio mentais, epiléptico; ele mesmo se qualificava de "idiota".

Curado o quanto possível na Suíça, após tratamento de quatro anos, volta à Rússia em busca de uma parente distante, Lizavéta Epantchín, esposa de um rico general, pais de três filhas.

O príncipe é recebido com restrições mas logo a família do general passa a amá-lo. Ele se revelaria amigo de todos, sem maldade, cheio de reverências aos que dele precisavam, incapaz de ofender, sendo muito respeitado. 

Mas, a sua doença "curada" poderia se manifestar diante dos personagens à sua volta, com os amores que devotou a Agláia (filha mais nova do general) e Nastássias, esta uma desequilibrada? E diante da tragédia?

Isso tudo será descoberto no livro com 670 páginas que me cansou muito mas que vale a pena para os que gostam realmente de ler.

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sexta-feira, 13 de junho de 2025

O ERMITÃO DE MUQUÉM de Bernardo Guimarães

 LIVRO 141












O Autor escreveu "A Escrava Isaura" que inspirou novela na Rede Globo em 1976 e que andou encantando o planeta.

O modo de escrever do autor, revelou uma forma de explanação sem muitos volteios, mas enfatizando romantismo entre o herói e a doce virgem que floresceu em plena "nação" Xavante.

Diz o autor nas explicações que fez sobre esse seu romance — e isso em 1858 — que os usos e costumes indígenas no Brasil estão envoltos em trevas, na história é quase nenhuma, de suas crenças apenas noções isoladas, incompletas e sem nexo.

A obra tem forte atuação indígena no enredo até chegar ao ermitão do Muquém que teria dado origem à romaria de Nossa Senhora da Abadia também chamada de "Festa do Muquém", comemorada há mais de 275 anos. Muquém é um distrito de Niquelândia em Goiás. 

O autor dá ao seu tempo diversas romarias em vários estados: de São Paulo ele se refere à nobre e altiva Paulicéia cuja romaria se dá à beira do Tietê, com oferendas à Nossa Senhora da Penha.

Mas é de São Tomé das Letras, sem menção aos objetos não identificados que muitos dizem que por lá aparecem, que o autor dá esta versão:

"Nas altas e escabrosas cumiadas de uma grande cordilheira campeia o arraial de São Tomé das Letras, com suas alvas casinhas semelhando um bando de alvas pombas pousadas sobre o teto do antigo templo derrocado e denegrido pelo tempo. É crença do povo que o apóstolo São Tomé viajou e pregou na América e há alguns sinais parecidos com letras que se notam numa pedra e que se acredita terem sido ali gravadas pelo apóstolo, deve a povoação ao seu nome".

A LENDA

A origem da história se deu na cidade de  Goiás, antiga Vila Boa.

Gonçalo era um jovem abastado, valentão, exímio nas armas de seu tempo.

Num batuque na casa do Matias, lá estava Maria - a Maroca -  menina linda, aos cuidados do amante Reinaldo, um ciumento doentio. 

Eis que Gonçalo se encanta com Maroca e a leva embora. Reinaldo ao perceber sai no encalço de ambos

Há um briga homicida entre ambos e Reinaldo é morto. Maroca vendo aquilo perde a fala para sempre.

Gonçalo foge de barco pelo Rio Tocantins e se esconde na tribo dos Coroados.

Lá não fica muito tempo porque pelo seu jeito começa por criar atritos na tribo.

Foge de novo, de barco. É avistado pelos Xavantes que gritam: emboaba, emboaba.

E é atacado. Mas, exímio guerreiro, mata diversos xavantes, até ser acertado por um tacape.

Gravemente ferido, é poupado por aquele que seria seu rival trágico, Inimá.

Levado para a taba do cacique Oriçanga passa a ser cuidado pela linda Guaraciaba, a virgem prometida ao futuro cacique Inimá.

A virgem se apaixona pelo emboaba Gonçalo, agora chamado Itajiba, cuida de seus ferimentos ajudada pelo pajé Andiara que percebe o amor que nascia.

Itagiba quando recuperado seria sacrificado na festa de casamento.

Mas, para evitar esse sacrifício, Andiara sugere ao cacique, pai da virgem que Itajiba e Inimá saiam em luta contra inimigos dos Xavantes. Aquele que melhor se saísse ou sobrevivesse ficaria com  linda Guaraciaba, embora ela preferisse Itajiba por quem se apaixonara.

Itajiba ataca os brancos das bandeiras perto de Vila Boa e sai vencedor. Inimá, ataca os Caiapós. Inimá apenas sobrevive.

É preparada uma farsa a Itajiba, por sobreviventes ligados a Inimá. Guaraciaba estaria o traindo numa taba isolada. Itajiba a encontra aos abraços com um estranho e mata os dois com uma flecha.

Constatado que o estranho era irmão de Guaraciaba Itajiba entre em desespero e ele e Inimá marcam um duelo pelo uso de flechas sabendo que ambos não sobreviveriam.

Mas, a flecha atirada por Inamá não fere Itajiba. Ela é rechaçada pelo medalhão de Nossa Senhora da Abadia que ele ostentava.

Diante desse milagre, Gonçalo abandona o modo de vida que mantinha, constrói uma capelinha para adoração da santa em Muquém e se converte no ermitão.

Um dia Matias, esposa e Maroca vão em romaria a Muquém em busca das bênçãos do ermitão, descobrindo que era Gonçalo; ele de joelhos pede perdão a Maroca pela morte de Reinaldo, que o perdoa e volta a falar...  

Deram-se romarias a Muquém que perduram por mais de 275 anos.


História agradável e, sem ironias, "inspirou" filmes com personagens salvos em tiroteios por medalhão no peito ou dólar furado...


NOTA DE DIVULGAÇÃO

LIVRO 141: O ERMITÃO DE MUQUÉM de Bernardo Guimarães.

Livro escrito em 1858 conta a lenda do ermitão de Muquém cujo início se dera nos tempos de Vila Boa, depois cidade de Goiás.

É a história de Gonçalo um valentão homicida, abastado, que pelo assassinato do rival, o ciumento Reinaldo, por causa da linda Maria - Maroca, foge pelo rio Tocantins, se abrigando em tribos indígenas, culminando com a chegada à tribo Xavante. Mal recebido, atacado, reage mas, por fim, muito ferido é salvo por Inimá e cuidado pela linda Guaraciaba. 

Ambos se apaixonam, mas o agora Itajiba provoca uma tragédia ao pensar que Guaraciaba o traia. Fora uma farsa engendrada pelo rival Inimá.

Inimá e Itajiba convencionam um duelo do qual ambos não sobreviveriam. Mas, a flecha de Inimá é contida pelo medalhão de Nossa Senhora da Abadia sempre protegendo o peito de Gonçalo.

Gonçalo, pelo milagre, se converte, constrói uma capela para adoração da santa que milagrosamente o protegera. Tornou-se o ermitão de Muquém com final regenerador. As romarias a Muquém perduram por mais de 275 anos.

Historinha bonita.

Acessar: https://resenhadoslivrosqueli.blogspot.com/2025/06/o-ermitao-de-muquem-de-bernardo.html