A Igreja Católica, por sua cúpula, já se houve praticando crueldades inimagináveis como nos tempos da inquisição. Os tempos mudaram tudo é história embora alguns atos choquem demais, são incompreensíveis porque praticados sob a cruz cristã.
Vem há anos enfrentando série de denúncias de pedofilia praticadas pelos seus membros – tantas provadas e confessadas por religiosos sem escrúpulos – o que permite questionar fortemente, como vem ocorrendo, a instituição do celibato. O desvio da pedofilia constitui-se, sobretudo, num crime da maior gravidade, execrável, até porque atenta contra a confiança e inocência da vítima indefesa, submetida sabe-se lá sob quais subterfúgios ou ameaças.
Quantos papas santificados silenciaram sobre a pedofilia em suas catedrais?
Mas, há um tema também grave que passa ao largo da melhor análise, que vai e volta. Trata-se da beatificação do papa Pio XII, o religioso que dirigiu a Igreja nos tempos da 2° Guerra e do nazismo dominando a Europa.
Essa vacilação do Vaticano me leva a repensar o livro muito contestado pela Igreja: “O Papa de Hitler – A História Secreta de Pio 12” de John Cornwell.

Segundo esse autor, a personalidade de Pio XII no relacionamento pessoal impressionava os circunstantes que o consideravam, muitos, piedoso e verdadeiro candidato à canonização.
Mas, quais fatos se prestam a colocar em dúvida essas impressões naqueles dias sobremaneira conturbados segundo o Autor? Anticomunista fervoroso Eugênio Pacelli muito ligado à Alemanha, aproximou-se dos nazistas dando início a contatos diplomáticos diversos, especialmente aqueles que se referiam à implantação do código canônico, inserindo a autonomia da Igreja em administrar seus membros, sem a interferência do governo. Nesse passo, permitiria até mesmo a ascensão do nacional-socialismo de Hitler, ultranacionalista, anticomunista ao promover gestões e alianças que resultariam na extinção do Partido de Centro Católico alemão que exatamente fazia oposição ao nazismo.
Durante a Segunda Guerra, eleito papa em 1939, Pio XII preocupado em preservar Roma e até mesmo o Vaticano de represálias de Mussolini, aliado dos nazistas, apelando aos ingleses para que não bombardeassem Roma, uma ameaça real como reação aos ataques nazistas na Inglaterra do então incontrolável Hitler e seus asseclas, pouco ou nada fizera para condenar o holocausto, porém. Nas ruas, sob as janelas do Vaticano, enquanto isso, muitos foram os judeus e outros rejeitados pelo nazismo conduzidos para o sacrifício e para os campos de concentração. As manifestações de Pio XII contra os excessos nazistas e fascistas constituíram-se apenas em reprimendas contidas que na realidade pouca repercussão tiveram, enquanto o extermínio abominável, segundo o autor, vitimava milhões de criaturas em pleno século 20.
Por isso, o autor não faz concessões ao papa Pio XII, concluindo com uma frase dura: “Ao chegar ao final de minha jornada pela vida e os tempos de Pacelli, estou convencido de que o veredito cumulativo da história o mostra não como um santo exemplo para as gerações futuras, mas sim como um ser humano de falhas profundas, de quem os católicos e nossas relações com outras religiões podem melhor se beneficiar se expressando um sincero pesar.”
Não farei do alto da minha ignorância qualquer outro comentário sobre o religioso. O Autor já foi suficientemente contundente aos atos praticados ou omitidos por Pio XII. Mas, me parece que o melhor é encerrar a “angústia” da beatificação de Pio XII – se assim já não ocorreu de modo tácito - atirando uma pá de cal na demanda e, no silêncio tumular do religioso, apenas um episódio na página da História.
Há cerca de 25 anos, foi publicado o livro polêmico "O Papa de Hitler" de John Cornuell que teve repercussão ao registrar tolerâncias do papa Pio XII com o nazismo.
Há uns 15 anos eu li e resenhei esse livro e dessa resenha extraio este tópico:
"Durante a Segunda Guerra, Eugênio Pacelli eleito papa em 1939, preocupado em preservar Roma e até mesmo o Vaticano de represálias de Mussolini, aliado dos nazistas, apelando aos ingleses para que não bombardeassem Roma, uma ameaça real como reação aos ataques nazistas na Inglaterra do então incontrolável Hitler e seus asseclas, pouco ou nada fizera para condenar o holocausto, porém. Nas ruas, sob as janelas do Vaticano, enquanto isso, muitos foram os judeus e outros rejeitados pelo nazismo conduzidos para o sacrifício e para os campos de concentração. As manifestações de Pio XII contra os excessos nazistas e fascistas constituíram-se apenas em reprimendas contidas que na realidade pouca repercussão tiveram, enquanto o extermínio abominável, segundo o autor, vitimava milhões de criaturas em pleno século 20".
Pio XII receava a reação nazista atacando Roma e o Vaticano?
Naquela resenha, pela repercussão ao artigo que escrevi sobre o livro, fui muito cauteloso porque poderiam existir documentos não tão desfavoráveis ao papa, naqueles dias tenebrosos, como foi a pesquisa contida no citado livro.
Pois isso há pouco aconteceu.
Com efeito o "History Channel" divulgou um bom documentário baseado em documentos disponibilizados pelo Vaticano, exatamente abrangendo as ações diplomáticas de Pacelli sediado na Alemanha antes do papado e como o papa Pio XII.
Todos os estudiosos entrevistados no documentário, lamentaram o silêncio de Pio XII às notórias crueldades nazistas mas não deixaram de assinalar que países envolvidos ou não na guerra, incluindo os Estados Unidos rejeitaram a "oferta" alemã em receberem judeus em seus países que resultaria na preservação da vida de milhares deles.
E em assim sendo, a Alemanha resolveu pela "solução final" dos judeus, resultando em milhões de vítimas nos campos de extermínio.
Com isso é legítimo perguntar se só o silêncio de Pio XII foi a causa da tragédia. Quantos judeus seriam salvos se houvesse essa compreensão humana dos países em recepcionarem os judeus acuados?
Dirão muitos que o quadro da guerra não propiciava esses gestos, o conflito se revelava sangrento! Mais sangrento, porém, foi o extermínio nos campos de concentração.
O documentário menciona o Brasil que se prontificara a receber 3 mil judeus "cristãos".
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