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sexta-feira, 7 de julho de 2017

FAHRENHEIT 451 de Ray Bradbury

Livro 11

Desde logo se informe que o grau do “fahrenheit 451” significa o calor suficiente para a queima de papeis.




Quando resenhei em outubro de 2010 os livros "1984" de George Orwell e "Admirável Mundo Novo" de Aldous Huxley fizera a seguinte introdução:

“Estes tempos são empolgantes e não deixam de ser preocupantes. Submeto, então, a resenha dos dois livros para reflexão daqueles leitores que não os conhecem e mesmo àqueles que os conhecem.
Haverá pontos que tocam nos dias atuais: o cerceamento da informação em muitas regiões, o controle sobre os atos dos cidadãos, o consumo e a proliferação das drogas, pornografia, como forma de controlar a mente, a “alma”...”

Nunca esquecera, então, a obra de Ray Bradbury, não tão divulgada como esses mencionados acima, embora inspirasse o filme de François Truffault, de 1966.
Tantos anos depois, li há pouco o livro que alguns tentam colocar ao lado das duas obras acima mencionadas, de Orwell e Huxley.

Não sei se cabível, embora tenha gostado do livro.

A história ocorre num tempo não definido no qual os bombeiros não apagavam incêndio, mas queimavam livros, as casas onde eram encontrados e os próprios moradores.

Afinal, havia um milhão de livros proibidos. E, ademais, para que serve a poesia, uma obra de Tolstoi?

Fora uma jovem, Clarisse McClellan que um dia se encontra com Montag, o personagem principal da história, que o deixou intranquilo desconfiando de sua vida sem sentido, porque ela revelara que conversava em casa, sempre falando do tio, dos jovens que se matavam. E que gostava de ir às florestas olhar os passarinhos.

E certamente não assistia àqueles programas sem conteúdo das televisões nas paredes em todas as casas.

O comandante de Montag, Beatty ao confirmar a morte da jovem pelas suas excentricidades, num dado momento afirma:

“Se não quer que uma pessoa seja politicamente infeliz, não lhe dê os dois lados de uma questão para se preocupar. Dê-lhe um só. Melhor ainda, não lhe dê nenhum. Será melhor ela esquecer que existe uma coisa como a guerra. Se o governo for ineficiente, autoritário e perdulário, é melhor ser tudo isso sem que as pessoas se preocupem com essas coisas. Paz, Montag.”

E por aí vai o comandantes ensinando como desviar a atenção das pessoas. São princípios reais de uma ditadura até hoje identificada no mundo contemporâneo.
Montag esconde alguns livros em casa, é denunciado pela esposa. Os bombeiros para lá vão. Montag constata que é a sua própria casa. A esposa escapa e sua casa é incendiada.

Ele se rebela, escapa de implacável perseguição após atirar e atingir com um tiro o comandante Beatty e se une a outros segregados que preservavam obras na memória para reeditá-las nos tempos vindouros com a erradicação da ditadura da ignorância.



Gravura:
Cartaz do filme de 1966 de François Truffault com o mesmo título tendo como atores principais, Julie Christie e Oskar Werner.

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